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"Engolimos de uma vez a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga." Denis Diderot

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Sobre a matéria que eu não fiz

“Naquela manhã
Eu acordei tarde, de bode
Com tudo que sei
Acendi uma vela
Abri a janela
E pasmei.”
("Nostradamus" – Eduardo Dusek)

 
Juro como eu queria postar alguma matéria naquele 8 de dezembro, mas justamente nesse dia o meu provedor resolveu me deixar sem internet. Sabe como é... nessas horas a gente fica desesperado (pra não dizer “puto”). Então saí por aí, procurando espairecer e esquecer o insucesso da minha tentativa em vão de atualizar o blog. Até procurei alguma lan-house que estivesse aberta, mas era feriado municipal e não teve jeito. Bom, mas com a minha câmera digital fui à cata de imagens que me chamassem a atenção. Quanto a isso não posso reclamar: captei algumas imagens que guardei, tal a importância que tiveram para mim naquela manhã. Mostrarei aqui algumas delas...

Nossos colegas da PASCOM (Adriano Israel e Miriam Jorge),
 logo cedo no batente para transmitir pela 87 FM
a celebração da Missa Solene

Fiéis se preparando para a celabração da Missa Solene
(Alguém lá da janela me acenou, mas ma hora eu não percebi)

Trabalhos dos artistas
Fábio de Ojuara e Walter Luz
expostos na fonte da praça

Passando pela "Budega Véia", do amigo Rossini Cruz,
flagrei um sujeito dormindo numa rede (a porta estava entreaberta),
certamente tentando se recuperar do cansaço da luta na noite anterior

Que bonito! Moradores da Rua Madalena Antunes
 saudando a Imaculada, com uma faixa e,
com certeza, com o coração


Nessa cena eu quis chorar, mas me contive, e me emociono ainda. Um filho conduzindo a sua mãe até a igreja. Muitas vezes eu vi D. Geraldina passar naquela calçada, sozinha, porém muito segura de si, essa mulher de fibra. Agora com a idade avançada e depois de tantas lutas, ela precisa de apoio para caminhar, mas não desiste. E Zé Carlos está sempre presente, isso lhe conforta. Amigo Jadson Queiroz, essa é pra você, que em uma matéria postada aqui no blog sobre a Rua Bacurau que lhe chamou a atenção, fez um comentário saudosista sobre essa sua vizinha. Pois aí está ela, o senhor Antônio (Capiroto), esposo dessa heroína tinha ficado em casa. A sua saúde está mais delicada que a dela. 

E encerrando a minha caminhada olha o que eu encontrei: a imagem da Imaculada, numa janela da casa de D. Zoneide. Achei o máximo, pois diz muita coisa, e tudo de bom. Só depende do olhar de quem vê.
E agora, se vocês me permitem: UM FELIZ ANO NOVO, pra todos! Que a gente se encontre mais vezes aqui!

Créditos:
Texto e fotos: Eliel Silva

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Poesia/mensagem


Meus bons amigos

O tempo não pára
Canta o poeta
E ele não pára mesmo
Passa rápido, é fugaz, eterno

E nesta relativização do tempo, da vida
Conhecemos amigos, irmãos, coadjuvantes de nossas histórias
Alguns serão eternos “mesmo que o tempo e a distância digam não”
Outros nem tanto

Mas o que seria da vida sem estas pessoas
Que são ou em algum momento foram tão importantes?

Alguns serão eternos
Outros nem tanto

O tempo não pára
A vida continua
E algumas pessoas ficarão para sempre
Em nossas lembranças, em nossos corações
Ah meus bons amigos
Como foi bom tê-los conhecido.

Ilton Soares





* Poesia enviada pelo professor Ilton Soares, também publicada na última edição do goto seco, número 28, dezembro de 2010.

Créditos:
Poesia: Ilton Soares
Ilustração: Internet
Foto de Ilton: Eliel Silva

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Gracias a la vida

"Graças à vida que me deu tanto
Me deu o riso e me deu o pranto
Assim eu distinguo fortuna de quebranto
Os dois materiais que formam meu canto
E o canto de vocês que é o mesmo canto
E o canto de todos que é meu próprio canto."
(Gracias a la vida - Violeta Parra)


“REIVEILLON”


“Se ilumine na luz das estrelas / se aqueça nos raios do sol / se refresque na chuva que cai sobre a sua cabeça / agradeça e respire do ar / se concentre diante do mar / se procure, se encontre depressa ele está pra chegar...” Como diz essa música do Rei Roberto Carlos, lembro que 2011 está pra chegar, portanto é hora de agradecer as coisas boas que aconteceram em 2010.
Primeiramente a Deus por mais um ano de vida. Aos que fazem o Jornal de Hoje, especialmente ao amigo botafoguense Roberto Canuto pela publicação dos meus textos, fazendo minhas idéias chegarem a milhares de pessoas, ao doutor Bernardo Celestino Pimentel, Nilwilliam, Edvaldo Morais e Eliel Silva de Ceará Mirim que postam em seus blogs meus artigos. E falando em Edvaldo e Eliel, agradeço de coração pela homenagem ”Troféu Calhambeque” que recebi no mês de abril no Centro Esportivo e Cultural de Ceará- Mirim, promovido pelo programa “Jovem Guarda Especial” na Rádio 87 FM naquele município tendo como apresentadores os referidos amigos no “6º Tributo a Roberto Carlos – Aniversário do “Rei”. Recordo que em mais de trinta anos divulgando, defendendo e enaltecendo o Rei, é o primeiro prêmio que recebo, é muito gratificante ver um trabalho reconhecido. Aos amigos Reginaldo Crescêncio de João Pessoa – PB, Carlos Porfírio de Caruaru – PE, Fabiano de Fortaleza – CE e Adriano de Petrolina – PE, grandes fãs assim como eu do maior artista brasileiro – Roberto Carlos. A César Barbosa, Osório Almeida, professor Geraldo Batista, José Luiz Neto, Nídia Albuquerque, Marcínio, Nésio, os irmãos Erivaldo e Edvaldo Cabral pelos elogios aos meus artigos e o incentivo para continuar escrevendo. A torcida do Alecrim FC pelos momentos de sonhos, alegrias e emoções que passamos juntos, especialmente ao coronel Saraiva e ao torcedor Caio que ao comparecer aos estádios vestido de periquito incentivou e emocionou a todos. Ao padre Pio pela força e defesa do Alecrim FC, aos companheiros da charanga da torcida FERA, ao neurologista Carlos Trigueiro, o médico mais humano que conheci, ao compadre Vagner Cavalcante do fã Clube Além do Horizonte, aos jornalistas Everaldo Lopes e Rubens Lemos Filho, ao PSol e ao senhor Plínio de Arruda Sampaio, que mesmo aos 80 anos continua idealista, sonhando e lutando por um Brasil socialista, mais justo, humano e igualitário e a todos que leram meus artigos.
Talvez alguém pense que errei o nome do título desse texto, mas é mesmo “Reiveillon”, pois desde a década de 90 que comemoro o Réveillon principalmente com canções do Rei, dentre elas “Ele está pra chegar”, “Amigo”, “Eu Quero Apenas”, “A Montanha”, “Além do Horizonte”, “Debaixo dos Caracóis dos seus Cabelos”, “Com muito Amor e Carinho”, “É Tempo de Amar”, “Nêga”,” Por Ela”, “Eu Amo Demais”, ”É Preciso Saber Viver” e o tema da escola de samba “Unidos do Cabuçu” de 1987 que fez uma homenagem a sua majestade e o deste ano da Beija-Flor.
Finalizo com a mensagem da música “A Montanha”: “Obrigado, Senhor, por mais um dia, obrigado, Senhor, pela esperança, pelo sorriso, pelo perdão...” “Feliz 2011”.

José Normando Bezerra
Geógrafo e Professor
Natal,(RN) dezembro/2010

Créditos:
Texto: Professor Normando Bezerra
Foto: internet
A abertura dessa postagem com letra
de Gracias a La Vida, de Violeta Parra,
 foi uma sugestão do R&C

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Uma verdadeira festa de arromba

"Canções usavam formas simples
pra falar de amor,
carrões e gente numa festa
de sorriso e cor..."
(Jovens, Tardes de Domingo
 - Roberto e Erasmo)
JOVEM GUARDA – 2ª PARTE
(O Movimento Musical)

Toda essa onda que arrebentou no programa Jovem Guarda, invadindo as praias da mocidade dos anos 60, começou a ser formada bem antes, em meados da década anterior.
Deve ser difícil para alguém de outra nacionalidade falar de samba sem que não se reporte ao seu berço: O Brasil. Assim como é difícil para um brasileiro falar das bases do rock sem que não se remeta ao seu berço: a América. Foi de lá que, na década de 50, surgiu uma cultura juvenil. Antes os jovens viviam à sombra de seus pais. O rock teve grande influência nisso. Ele trouxe em seu pacote de novidades: um ritmo, uma moda, um jeito jovem de viver. Essa reação desencadeada naquele país se espalhou pelo mundo inteiro.
No Brasil não foi diferente. Em outubro de 1955 chegava às telas de cinema o filme Sementes da Violência (Blacboard Jungle). A música tema do filme “Rock Around the Clock”, de Bill Haley and His Comets chegava com força e enlouquecia os jovens. A trilha sonora do filme fez tanto sucesso que, a partir dela, foi lançado o filme Rock Around the Clock(no Brasil recebeu o nome de Ao Balanço das Horas), um musical que apresentava ao mundo artistas que tocavam o novo ritmo, dentre eles Bill Halley e The Platters.
O primeiro canto de rock a ecoar em solo brasileiro veio, quem diria, de uma famosa cantora de samba-canções. Na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, no Programa Cesar de Alencar, Nora Ney, uma das poucas cantoras brasileiras a dominar o inglês à época, soltou a bela voz na interpretação de Rock Around the Clock. A música foi interpretada no original sem grandes variações.
Em 1957, aconteceu a primeira gravação de um rock com letra em português na voz de Cauby Peixoto, Rock’n Roll em Copacabana, música composta pelo carioca Miguel Gustavo.
Os primeiros astros do pop brasileiro entraram em cena em 1959: Os irmãos Tonny e Celly Campello. Foi o ano do lançamento do LP Estúpido Cúpido. A faixa que dava título ao LP é uma versão bem sucedida de Stupid Cupid, de Neil Sedaka e Howard Greenfield.
Curiosa essa estrada do pop, não? Uma mulher foi a primeira a gravar um rock no Brasil: Nora Ney e outra foi o primeiro ídolo pop: Cellly Campello. Celly chegou a ser eleita, em 1961, Rainha do Rock, em um concurso elaborado pela Revista do Rock. Aí já começava um ritmo com cara e jeito de Jovem Guarda. Porém o sucesso de Celly foi igual aos das estrelas cadentes: no auge do fulgor ela se retirou da música para casa com José Eduardo Chacon. Tonny continuou no cenário musical e chegou a produzir alguns discos da galera da Jovem Guarda.
E Roberto e Erasmo Carlos, dois ícones desse movimento? A primeira música feita por eles nada tinha a ver com rock. Era um samba chamado Maria e o Samba que nunca chegou a ser gravado, mas foi apresentado por Roberto em um de seus shows na Boate Plaza, no Rio de Janeiro, em 1959. Assim encontramos Roberto Carlos no início de sua carreira: indefinido musicalmente, cantando sambas e Bossa Nova. A carreira do astro só ganhou a direção do rock quando Sérgio Murilo brigou com a CBS e foi para a RCA. A direção da CBS não podia ficar sem um ídolo jovem e, praticamente, empurrou Roberto para o rock.
The Clevers(Os Íncríveis), Golden Boys, Renato e Seus Blue Caps, The Jet Blacks e toda essa turma que se apresentou no Jovem Guarda já vinha fazendo sucesso há algum tempo. Tiveram influência de astros do rock como Elvis Presley, Bill Halley, Litllte Richard, Bealtes, Rolling Stones e românticos: Paul Anka, Neil Sedaka, The Platers. Musicalmente, a Jovem Guarda fez uma grande salada à brasileira. Juntou num prato só música romântica, rock, música americana, francesa, italiana. Salada esta que resultou num prato perfeito. Simples nas suas letras, nos acordes, mas muito gostoso e popular.

Nesse período, grande parte das letras eram versões de músicas estrangeiras. A grande sacada da dupla Erasmo e Roberto Carlos foi perceber que era preciso criar letras em português. Tarefa na qual foram bem sucedidos.
Não poderia deixar de falar aqui da briga estética e ideológica entre Jovem Guarda e Bossa Nova. Ah, como a guitarra elétrica e demais instrumentos da Jovem Guarda incomodaram o banquinho e o violão da Bossa Nova. Essa última com ideais nacionalistas e a primeira cheia de estrangeirismos. Vale lembra que era um tempo em que a cortina de ferro da ditadura descia forte sobre o país. A turma da Bossa, fazia música de protesto, se engajava na luta política. A Jovem Guarda?! Queria mais era fazer rock e curtir a vida numa boa. As críticas vieram pesadas. Foram chamados, dentre outras coisas, de “alienados”, “debilóides”, “submúsicos”. Assentada a poeira, acho que essas críticas tinham muito de ciumeira e dor de cotovelo por causa do sucesso que vinham fazendo os meninos e meninas da Jovem Guarda.
Enquanto Movimento Musical, a Jovem Guarda trouxe parcela de contribuição à música brasileira. Colocou em evidência os instrumentos elétricos. Inaugurou uma cultura roqueira no país através do vestuário, das gírias. Expressões como “bicho” “cara” “broto”, hoje “mina”. Algumas até ultrapassadas, mas que se atualizadas ganham seu espaço entre a juventude de hoje como é o caso de “é uma brasa, mora?” que toma hoje a forma de “pô, que da hora!”
A Jovem Guarda acabou? Não de jeito nenhum. Ela vive por aí inspirando as novas gerações. Vive nos programas de rádios apresentados Brasil afora, nas entrevistas e especiais de TV que, vez em quando, trazem o tema à tona. Para finalizar, aplausos para aqueles rapazes e moças que em meio às trevas da repressão acenderam as luzes da alegria e nos legou uma música tão vibrante e gostosa. Viva a Jovem Guarda!
Créditos:
Texto: José Flávio (colaborador)
Fotos: internet