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"Engolimos de uma vez a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga." Denis Diderot

segunda-feira, 20 de julho de 2026


Estamos a menos de um mês do maior evento de rock realizado aqui na cidade de Ceará-Mirim, o já tradicional Tributo a Raul Seixas. E como canta outro ícone da nossa música, "eu me lembro com saudade o tempo que passou!" Não estou me queixando, e nem sou contra o progresso, a evolução, mas hoje me dói ver que aquele grupo de outrora, tão coeso, hoje está esfacelado. Sinto falta da garra e dedicação dos músicos da extinta banda Alma de Borracha, como também daqueles caras de um grupo que veio depois, exatamente devido a ausência de empolgação dos músicos da banda anterior. E eis que, em meio ao caos, surgem Os Dinossauros do Rock. Convém lembrar que em ambos os grupos, diga-se de passagem, eu e o amigo Ionaldo estivemos presentes, assim, funcionando como o coração da coisa, modéstia à parte. Lamento muito o afastamento do professor Ionaldo Oliveira desse nosso sonho, nosso projeto. Entendo as razões dele, mas isso, pelo menos em mim, deixou uma grande frustração. Porque mesmo com todas as nossas limitações, nos dedicávamos pra valer quando na realização de eventos como esse. A escolha do repertório, a entrega dos músicos nas audições das músicas e nos ensaios, praticamente copiando os arranjos originais do disco. Tudo isso hoje me faz falta. E eu já cheguei aos 63. Não sei se futuramente ainda terei o vigor de seguir tocando. E sem essa gente isso se torna quase que impossível para mim. Mas, como se diz no popular: onde foi casa, é tapera! Vou continuar prestigiando o som que virá! Parafraseando o cantor Belchior: "o novo sempre vem!"

E Toca Raul!
🎸
Rezemos!

sábado, 18 de julho de 2026


 "Cantar nunca foi só de alegria
Com o tempo ruim
Todo mundo também
Dá bom dia!" (Gonzaguinha)

Ode a uma estrela
(Mesmo num dia chuvoso)

Depois de tanta chuva durante toda a noite, a preguiça me convida para ficar em casa, agasalhado, abraçado ou não, às minhas ilusões. Mas a dispensa aqui de casa não me dispensou da tarefa de ir ao supermercado. E eu fui. Não sem antes fazer uma boa ação, que não convém aqui entrar em detalhe, pode parecer muita pretensão da minha parte. E seria mesmo. Então lá vou eu, rua acima, guarda chuva (do cabo torado) a postos. Após fazer umas pequenas compras no supermercado, tão necessárias, me dirijo ao caixa. Apenas três funcionando. Optei pelo que, na fila, tinha um carro com menos compras. Por sorte, a moça que atendia me pareceu muito simpática. Um ar angelical no rosto, coisa que, para um dia como o de hoje, isso já me parecia um milagre. E foi o que vi. Muito educada, serena, com um batom de cor suave nos lábios, ela me sorriu e me deu bom dia. Eu que ultimamente ando carente de tudo, ali já recebi o troféu da copa por antecipação. Quando ela foi passar o meu vinho, comentou: "um vinhozinho para esquentar nesse dia frio!" Ora, gelado eu já estava. Gelado e encantado com tanta delicadeza e educação. Não quis bancar o deselegante, mas a vontade que me deu foi de convidá-la para uma taça. Mas me contive. Já me bastam as traças que me devoram com os seus dentes afiados. Não me fiz de rogado: fiz um elogio a moça assim, à queima roupa. Nem me importei. Naquele momento podia até trovejar, relampear. Meu para raio já estava acionado. Apenas falei para ela a verdade. Que eu estava encantado com tanta gentileza da parte dela, num dia atípico como esse. Ela me agradeceu sorridente e falou que ainda teve que enfrentar uma negociação com o cara do Uber, que pediu mais de 30 reais para trazê-la ao trabalho. Tá vendo! E no entanto ela estava ali, com aquela simpatia, tratando bem todo mundo. Fiz bem em elogiar a moça. O que, aliás, eu teria feito o inverso, do mesmo jeito, se fosse o contrário. Se não prestasse eu também diria. Como já fiz com outras por aí. E aí sim, o tempo fechava! Mas graças a Deus tudo correu bem. Passei o meu cartão, que cada dia está ficando mais fino, de tanto ser lambido pela maquininha. Peguei as minhas compras e desci a ladeira. Chegando em casa, no meu velho aparelho três em um, outro gênio da nossa Música Popular Brasileira ainda me mandava mais um recado. Ele dizia: "Amarra o teu arado a uma estrela... E os tempos darão:
Safras e safras de sonhos, quilos e quilos de amor..."
Porra! É tudo o que eu preciso. Aleluia!