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"Engolimos de uma vez a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga." Denis Diderot

sexta-feira, 31 de março de 2017

Crônica Urbana

"Às vezes saio a caminhar pela cidade
À procura de amizade
Vou seguindo a multidão
Mas eu me retraio olhando em cada rosto
Cada um tem seu mistério
Seu sofrer, sua ilusão."
("Casinha Branca" - Gilson/Joran)


Era mais de meio dia. Eu me dirigia ao trabalho, tranquilo e a pé. De repente, na avenida principal, vejo um pequeno engarrafamento. No seu velho FIAT, e às voltas com a marcha ré que não queria colaborar, um homenzinho tentava fazer um retorno. Aos poucos, alguns carrões modernos foram se aproximando. Percebi que quase todos os seus condutores pareciam irritados com aquela cena. Poxa vida, eles tão bem acomodados nos seus automóveis: ar condicionado, vidro escuro e prestações altíssimas. Eu, com o sol queimando a moleira, seguia o meu rumo sereno, até arriscando um sorriso vez em quando. Foi aí que comecei a me preocupar comigo: será que sou normal? Eu aqui, a pé e no sol, e ainda sorrindo? Passei numa farmácia e pedi a mocinha para verificar a minha pressão arterial, e saber se, de repente, eu até não estava com um pouco de febre. Ela falou que para a minha idade até que estava tudo normal (que consolo!). Fui em frente. Fui trabalhar. É... acho que o mundo ao meu redor foi que adoeceu. rsrs (Eliel Silva - maio/2017)

segunda-feira, 27 de março de 2017

25 anos depois...



“...tá dizendo pros dragões: baixe o fogo dos canhões!
Pois quem anda sob esses olhos não tem medo de nada.”
(“Olhos Mansos” – Zé Geraldo)

Você talvez não saiba das tantas vezes que eu conduzi o meu destino sob a guia dos seus olhos. Pois sim. Eram tempos difíceis, bem mais que hoje, e eu buscava um rumo certo. “Pela luz dos olhos teus” eu fui enxergando atalhos quando só pensava em me distanciar de tudo, e feito um ímã, você me mantinha cada vez mais perto. 25 anos depois, os nossos traços tomaram outras aparências, mas as nossas almas permanecem as mesmas. Esteja certa que as suas decisões são minhas também. Parabéns, minha filha! “Te amo pra sempre. Te amo demais...” (Eliel Silva - 24 de março de 2017)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Ocaso



Por minha vontade de viver, acho que ainda é cedo. Mas o meu corpo cansado parece dizer que não. Quando adolescente, e cheio de vida, com todo o viço, nem parei para pensar no ocaso da caminhada. Por que será essa vontade agora de exílio voluntário? Esse desejo de tornar-me um estrangeiro aqui no meu lugar? Quero expiar os meus pecados, as minhas culpas, mas fazer isso sem alarde. Quero sentir a alma leve, sem o peso dos apegos. Feito aqueles velhos elefantes, quero me afastar da manada, viver o meu drama em silêncio. Não há como brindar o último cálice de vinho. Isso é uma missão completamente solitária.  (Eliel Silva - dezembro/2016)

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Saudade


Meu pai, eu não preciso de um dia específico para me lembrar de você. Por todo canto que tenho andado, eu te vejo, sinto o que ficou de você em mim. Os seus ensinamentos, o seu exemplo de pessoa simples e digna, a sua maneira leve de tocar a vida em frente, sem tantos anseios. E não foi usando terno e gravata, não foi escrevendo na lousa da nossa escola imaginária, coisa que aliás você nem conheceu, não foi usando desses artifícios que você me ensinou a praticar o bem, mas com as suas roupas surradas da lida diária, seu cheiro forte de suor impregnado na casa, quando você chegava do trabalho incansável. Cada palavra simples e carregada de tanta verdade nua, ecoava nas nossas paredes, e se armazenavam no nosso ser. Quero te dizer também que, pelo menos hoje, eu não vou visitar o seu túmulo, farei num momento mais ameno. Sei que não estás tanto ali, pois o que depositei naquela campa, numa manhã triste de janeiro, não foi necessariamente você, mas, parte sua. Foi o que restou de tantos anos de sofrimento em cima de uma cama. E não vou ser hipócrita a ponto de dizer que eu preferia que você estivesse ainda aqui conosco. Não, eu não queria. Não do jeito que você viveu naqueles últimos dias, onde somente os mais próximos, e por questão de necessidade, suportavam te ver naquele estado. Sei que estás com Deus. Impossível pensar de outra forma, visto que foste um homem tão bom, e mesmo assim, por conta desses tantos mistérios indecifráveis da vida, ainda tiveste que “pagar” tão caro por longos oito anos. Se é mesmo como dizem, meu pai, a gente vai se encontrar um dia. Se não, o que vivemos juntos já foi suficiente para tornar-se eterno. Sua bênção, meu pai!...(Ao meu saudoso pai Daniel Ferreira da Silva, um homem justo, um grande homem.)

sábado, 1 de outubro de 2016

É fim de mês...



Setembro está indo embora, e eu só tenho que agradecer por tudo que vivi durante esse mês. Agradecer aos amigos do face, principalmente, que aturaram as minhas bobagens cotidianas e, sendo sinceros ou não, interagiram comigo, mostrando certa satisfação, e isso me deixou feliz. Eu sempre me dei muito bem com a primavera, e depois de um agosto que me foi tirano, tinha essa certeza de viver novos e bons momentos. Pois bem, em toda a minha vida tenho aprendido com a natureza que sempre procura por um pouco de beleza mesmo onde há apenas escombros. Caso dessa imagem que capturei recentemente quando andava por uma rua da cidade. No mês que começa amanhã, por Deus eu peço a todos vocês: ajudem esse pobre poeta tombado a ser mais feliz! (30.09.2016)