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"Engolimos de uma vez a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga." Denis Diderot

domingo, 13 de maio de 2018

Outra de maio...



"LEMBRA DE MIM!
DOS BEIJOS QUE ESCREVI NOS MUROS A GIZ
OS MAIS BONITOS CONTINUAM POR LÁ
DOCUMENTANDO QUE ALGUÉM FOI FELIZ..."
(Ivan Lins)

13 de maio de 2014.

sábado, 5 de maio de 2018

Maio de 2016



E se...

...de repente eu pegasse esse caminho de volta pra casa, na direção do sol, e me encontrasse então na minha terra natal, junto a minha infância, com os meus pais sadios e cheios de vida! Eu trataria de recomeçar. Com a experiência do que vivi, corrigiria erros do percurso, exceto dois ou três, porque estou convicto de que me foram um “mal necessário” para construir esse destino. E na viagem rumo ao presente, ia contemplar cada momento, vivê-los com mais intensidade. Chegando na estação outra vez, nada mais faria, e só deixaria o trem desse novo tempo seguir em frente. Simples, feito um sonho ao entardecer.
(Texto e foto: Eliel Silva - maio/2016)

quinta-feira, 15 de março de 2018

Descartável



A poesia,
Enlatada,
Rotulada,
Pronta para ser negociada,
Hoje faz sucesso
Na parada.
Virou pornochanchada,
Desgraçada.
Parece piada.
Não rima com nada. 📜
(Eliel Silva – 14.03.2018)

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Mais dezembros


CASINHA

O chão está sujo 
As paredes empoeiradas 
Mas ainda há uma certa magia 
E quando eu entro lá, 
no "abrigo da tempestade",
Vem à tona lembranças de resistência
Dois seres ali foram gerados, foram criados 
Houveram momentos de tensão, 
de tristezas e de alegria 
Foi um tempo de provação 
E assim, faço dela hoje um santuário.
Não é à toa que vez em quando preciso voltar lá 
e por meus joelhos no chão.

- Eliel Silva / dezembro de 2017

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Dezembros



Alguns boletos para pagar e uma dorzinha de cabeça. Preciso ir à farmácia mais próxima, mas antes passo no banco. Nenhum dinheiro nos caixas eletrônicos, mas os boletos são bem-vindos. Por perto, nenhuma farmácia aberta também. Vou subindo a avenida e, - pasmem os senhores! -, me deparo com dois animais pastando solenemente na praça do mercado. Deitado num banco, moribundo e sem boletos pra pagar, sem compromissos para a segunda-feira e sem dor de cabeça também, um homem dorme com o seu cheiro de caranguejo. Chego à farmácia e a moça me atende. Desço quase satisfeito. E pensar que um telefonema certeiro, ou a sorte grande num bilhete resolveria tudo (ou quase tudo). Vivemos essa vida por um fio. (Eliel Silva. Domingo, 10.12.2017)


Na Estrada

A espera é para todos e eu segui à risca.
Motoristas conversam, fazem suas graças,
 
barganham com os passageiros.
Eu preciso ir, mas não tenho tanta pressa.
Duas moças conversam sorridentes no banco de trás,
falam de planos para o futuro, sem "desesperar, jamais..."
A paisagem na estrada é que não me anima.  
No céu, as nuvens prenunciam um mormaço,
e o chão parece em chamas.
Tudo tão seco, o mato, os riachos...  
Na noite passada eu havia sonhado com um deserto.  
Mas a fé me parece ainda acesa... e eu vou.  
Ao passar pela minha cidadezinha o coração me aperta:  
ruas de paralelepípedos, as calçadas altas, as serras, o velho açude.
Mas a outra cidade mais adiante estava deserta,  
tudo fechado por lá.  
Parecia "o dia em que a terra parou", do Raul Seixas.  
Também é feriado e eu não sabia.  
Vou voltar pra casa com a graça de Deus.
 ...  
Já cheguei!  
A paisagem e as lembranças ficarão guardadas em mim.  
Por hoje a vida já me valeu,  
e dessa vez eu nem precisei pegar o avião!  
(Eliel Silva, 08.12.2017)