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"Engolimos de uma vez a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga." Denis Diderot

sábado, 1 de junho de 2019

O Espírito
É assim que eu sinto
É assim que me vejo
Eu não sou daqui
Posso ser aquele moço,
do quadro na parede
Só que em outros tempos,
em outra vida
Fui soprado num corpo frágil, desde menino
E que seguiu vivendo apesar de tudo
Mas chegará o dia em que a casca se arrebenta
E um outro vento irá soprar suave, num momento final,
levando a essência a outra vida
Quem irá me receber?
O que farei a partir de então?
Dizem que um dia eu voltarei para sempre
Mas eu prefiro as tantas mutações
Me divirto em cada ser
Padeço e vou à luta
Não tenho a mínima pressa de existir.
(Eliel Silva - junho/2017)

quinta-feira, 30 de maio de 2019


VIAGEM

Por aqui, decerto, quase ninguém me vê. Mas os carros passam, as pessoas passam. Eu observo a cena. Fico quieto agora, mas tinha acabado de fazer uma queixa às autoridades. Não gosto de ver o que foi feito para o benefício do povo, sendo destruído por esse mesmo povo. Gente delinquente juvenil. O clima está gostoso e a tarde segue serena. Há livros por todas as estantes. Capas coloridas me mostram um cavalo encantado, um urso preguiçoso, e as pessoas não param de correr. De repente, uma sirene soa forte, apitos e um carro da polícia segue em velocidade. Aqui no meu mundo a vida não parece ter pressa. E é assim que eu gosto. Leio a introdução do livro On The Road - Pé na Estrada, e é uma viagem prazerosa. O carro da polícia insiste na sua missão. Há um reboliço lá fora. Aqui dentro é tudo um sonho. Se um ônibus para em frente e me mostra um número, me bate a vontade de jogar no bicho. Vai que eu acerte a milhar e ganhe uma boa grana para sair do aperto!... Lápis coloridos me convidam à fantasia. Feito um arco-íris, eu me estenderia de uma parte a outra da cidade, e mesmo sem um pote de ouro no final da estrada colorida, daria um jeito de levar todo o meu amor. Um bar e uma cerveja aparecem na minha frente e são como um ponto. Pronto! Mudo de ideia. Vou cair na farra. Mas os tempos mudaram, e a saúde já não está tão boa. Melhor me aquietar. A chuva se recolhe lá fora, ficou apenas aquele friozinho. Não vou dizer o que seria bom fazer num dia assim. Eu já fiz de tudo nessa vida. Pra que rebobinar a fita? O tempo é um barco dentro de mim. Eu sou um oceano em extinção. Vou secar e os meus peixes criarão asas e partirão. Um dia existirá apenas a poeira. O vento forte irá me açoitar. Vou para um outro lugar. Mas haverá sempre um pouco de mim noutras vidas. Já é fim de mês. Maio acabou. (Eliel Silva - 30 de maio de 2017)

terça-feira, 14 de maio de 2019




Calvário Agora

Jesus havia encerrado seu expediente
Caminhava lentamente para a casa dos seus pais
De repente, numa esquina aparecem dois caras
Armas na mão, anunciam o assalto

O rapaz, calmamente, tenta argumentar que mais tarde
Eles podem se encontrar, os três, numa cruz
Mas "os mano" nada quiserem ouvir


Nesse momento, soa a sirene de um camburão
Os bandidos se mandam, apavorados
Jesus ficou sozinho, dessa vez, já preocupado
Os homens da lei o interrogam
Achando ele meio suspeito, de pele escura...


Três dias já se passaram
E até aqui não se ouviu falar em ressurreição. 😔
(Eliel Silva - maio de 2019)

quarta-feira, 10 de abril de 2019



Por que será?!

Sim, por que será que bate de repente uma melancolia quando a tarde cai e há uma melodia tristonha no ar? Será que essa música veio por acaso? E será que quem a compôs estava triste assim? A chuva parou. E isso é um convite para um passeio. Mas por que essa vontade de não ir a lugar nenhum? E assim, sem destino, a gente segue só. Porque tem momentos que somente você pode lhe acompanhar. Ninguém vai, sequer, te orientar a agarrar-se ao corrimão da tua estrada. Então, mesmo em andrajos, é preciso buscar algo além disso aqui. (Eliel Silva, 10 de abril de 2017)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019



"...será que tudo que eu gosto
é ilegal, é imoral ou engorda."


Diário de um "magro"
Neste domingo meio sol, meio chuva, eu pretendo, pela manhã, fazer um trabalhinho aqui em casa (trabalho braçal), em seguida, como não sou de ferro, tomo uma cervejinha assistindo A Escolinha do Professor Raimundo, na sequência, The Voice Kids e emendo com o filme do Homem Aranha. À tardinha pretendo ainda ver o Ding Dong, se tiver hoje, no Faustão. Sim, tudo na Globo “golpista”, afinal, isso não tira cabaço. E já vou aguardando com uma certa serenidade o mimimi dos pseudointelequituais (se é que alguém se atreva a por a mão no fogo). É. Porque na cabeça dessas pessoas, salvo elas e seus miquinhos amestrados, todo o resto do povo brasileiro é alienado por ligar a tv num determinado canal.
(Eliel Silva – 14 de janeiro de 2018)