-

"Engolimos de uma vez a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga." Denis Diderot

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Ocaso



Por minha vontade de viver, acho que ainda é cedo. Mas o meu corpo cansado parece dizer que não. Quando adolescente, e cheio de vida, com todo o viço, nem parei para pensar no ocaso da caminhada. Por que será essa vontade agora de exílio voluntário? Esse desejo de tornar-me um estrangeiro aqui no meu lugar? Quero expiar os meus pecados, as minhas culpas, mas fazer isso sem alarde. Quero sentir a alma leve, sem o peso dos apegos. Feito aqueles velhos elefantes, quero me afastar da manada, viver o meu drama em silêncio. Não há como brindar o último cálice de vinho. Isso é uma missão completamente solitária.  (Eliel Silva - dezembro/2016)

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Saudade


Meu pai, eu não preciso de um dia específico para me lembrar de você. Por todo canto que tenho andado, eu te vejo, sinto o que ficou de você em mim. Os seus ensinamentos, o seu exemplo de pessoa simples e digna, a sua maneira leve de tocar a vida em frente, sem tantos anseios. E não foi usando terno e gravata, não foi escrevendo na lousa da nossa escola imaginária, coisa que aliás você nem conheceu, não foi usando desses artifícios que você me ensinou a praticar o bem, mas com as suas roupas surradas da lida diária, seu cheiro forte de suor impregnado na casa, quando você chegava do trabalho incansável. Cada palavra simples e carregada de tanta verdade nua, ecoava nas nossas paredes, e se armazenavam no nosso ser. Quero te dizer também que, pelo menos hoje, eu não vou visitar o seu túmulo, farei num momento mais ameno. Sei que não estás tanto ali, pois o que depositei naquela campa, numa manhã triste de janeiro, não foi necessariamente você, mas, parte sua. Foi o que restou de tantos anos de sofrimento em cima de uma cama. E não vou ser hipócrita a ponto de dizer que eu preferia que você estivesse ainda aqui conosco. Não, eu não queria. Não do jeito que você viveu naqueles últimos dias, onde somente os mais próximos, e por questão de necessidade, suportavam te ver naquele estado. Sei que estás com Deus. Impossível pensar de outra forma, visto que foste um homem tão bom, e mesmo assim, por conta desses tantos mistérios indecifráveis da vida, ainda tiveste que “pagar” tão caro por longos oito anos. Se é mesmo como dizem, meu pai, a gente vai se encontrar um dia. Se não, o que vivemos juntos já foi suficiente para tornar-se eterno. Sua bênção, meu pai!...(Ao meu saudoso pai Daniel Ferreira da Silva, um homem justo, um grande homem.)

sábado, 1 de outubro de 2016

É fim de mês...



Setembro está indo embora, e eu só tenho que agradecer por tudo que vivi durante esse mês. Agradecer aos amigos do face, principalmente, que aturaram as minhas bobagens cotidianas e, sendo sinceros ou não, interagiram comigo, mostrando certa satisfação, e isso me deixou feliz. Eu sempre me dei muito bem com a primavera, e depois de um agosto que me foi tirano, tinha essa certeza de viver novos e bons momentos. Pois bem, em toda a minha vida tenho aprendido com a natureza que sempre procura por um pouco de beleza mesmo onde há apenas escombros. Caso dessa imagem que capturei recentemente quando andava por uma rua da cidade. No mês que começa amanhã, por Deus eu peço a todos vocês: ajudem esse pobre poeta tombado a ser mais feliz! (30.09.2016)

No tempo...



“O sol é tão bonito... Eu vou.”

SE ELES DEIXAREM
Pois é. E apesar do furdúncio que ronda os nossos dias, não digo que já vejo uma luz no fim do túnel, vou mais além, já alcancei essa luz. Já desfruto dessa claridade. Mas isso me foi conquistado à custo de muita batalha pessoal. Muitas vezes era eu lutando com o meu próprio eu. E eu fiz o que pude para não me distanciar tanto de mim mesmo. Lutei para não perder a essência do meu ser que, a bem da verdade, tem incomodado muita gente ao meu redor. Mas o que se há de fazer? Eu não queria me perder no meio do caminho, buscando um proceder que não condiz com a minha personalidade. Não vendi a alma ao diabo. Com essa minha costumeira teimosia, não seria um bom negócio para ele. E estou aqui. Aí, alguém pode ate se perguntar: e quem é esse cara, tão pretensioso? O que ele acha que é? Sou gente. E para o seu governo, gente de bem. E se “eles” deixarem, e é o que eu espero agora, se respeitarem os meus quereres, pretendo seguir adiante, desfrutando dessa minha conquista. Arrisco até a citar uma frase celebre do Caetano: “tudo é divino, tudo é maravilhoso”. “Por força desse destino”, não fui tão longe, é verdade, mas já me sinto bem onde estou. E às vezes me pego cantando uma canção da Rô Rô: “a vida é bela, só nos resta viver.” (01.10.2015)

sábado, 24 de setembro de 2016

Amenidades de setembro



Endereço
Amigo, você que há muito tempo não me vê, quer me fazer agora uma visita, sabe a rua que eu moro, mas não lembra mais onde é a casa, vou lhe ensinar: É fácil. Quando for descendo na rua, anda uns vinte metros e vai encontrar uma casa de muro alto, cerca elétrica, portões automáticos, dois carros na garagem, uma piscina bem na entrada. Pois bem, não é ali não. Ande mais uns duzentos metros e você vai encontrar uma casinha com um vira lata amarrado na área, uma cadeira de balanço (com dois fios já quebrados, ressecados pelo sol), e um vaso com um belo pé de “comigo-ninguém-pode” (nunca se sabe do "olho gordo" dessa gente). Não faça cerimônia. Seja bem vindo, amigo! Tomou nota?!

P.S.: Crônica descontraída pra começar um belo sábado de sol.
(Eliel Silva - 24/09/2016)