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"Engolimos de uma vez a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga." Denis Diderot

sábado, 6 de julho de 2024

 


“Basta ser sincero e desejar profundo,
Você será capaz de sacudir o mundo...”
Vitoriano Roberto, natural de Angicos/RN, cidade turística e que tem história. Em 1983ele veio a Ceará-Mirim para visitar a sua irmã, professora Vitória. Não. Não desembarcou no “Trem das 7”, mas, acreditem, no ônibus do Grupo Show Terríveis. Isso, à convite do seu primo Ivan, componente do grupo musical. Já aproveitando o “embalo” da viagem, participou de uma daquelas festas tradicionais aqui da cidade: Detalhes, ou talvez Quando Setembro Vier. Isso ele não soube precisar. Mas o fato é que o cara gostou da terrinha que a ficou visitando constantemente. Tanto que, mais tarde, em julho de 1989, o então professor Vitoriano Roberto participou aqui de um Encontro Pedagógico, seguido de um aniversário, onde conheceu a sua esposa. Nessa festinha ele pretendia ouvir uma fita cassete, que havia gravado na loja de Waldeck Som, com músicas de Raul Seixas e Sérgio Sampaio. Mas a turma queria mesmo era que ele pegasse o violão e mandasse ver, ao vivo. Então o cara se rendeu aos apelos e abriu o gogó, tocou, cantou e agradou. Dividindo a missão de tocar e cantar com o Chico Buarque de Ceará-Mirim, Marcos Brandão, que mandou muito bem nos clássicos da MPB. Vitoriano fez um apanhado do cancioneiro de Raul Seixas e Zé Ramalho. Bom, daí em diante haja história. Participou ativamente de vários eventos aqui na cidade, do rock a MPB. Nas primeiras manifestações pró Raul Seixas ele estava presente.
Pois é. Ma essa pequena introdução foi para informar que o Estado do Rio Grande do Norte vai estar representado por ele na Caminhada Raulseixista, no próximo dia 28, sexta-feira, na cidade do Rio de Janeiro. Na oportunidade se comemora o aniversário do Maluco Beleza. A caminhada refaz o percurso que os parceiros Raul Seixas e Paulo Coelho fizeram tantas vezes para divulgar o lançamento de discos que se tornaram verdadeiros clássicos, como o LP Guita, que completa 50 anos agora em 2024. Convidado por Tânia Menna Barreto, uma das ex mulheres do Raul, Vitoriano será uma das atrações do show musical. E é bom lembrar que, além de ter tocado com tantos músicos aqui do Estado, o cara traz também no seu “alforje de caçador” encontros memoráveis com pessoas ligadas a Raul Seixas e a sua obra. Os pais do Raul, o guitarrista Rick Ferreira, o parceiro Cláudio Roberto, Sylvio Passos (amigo pessoal do Raul), ex mulheres do Raul, filhas, e tantos outros “malucos beleza” por esse Brasil afora.
A aproximação de Vitoriano com Raul Seixas (ao vivo) aconteceu no ano de 1983, muito embora não tenha havido contato físico entre eles. E foi no Aeroporto Augusto Severo, em Parnamirim/RN, onde na época o seu pai trabalhava na Infraero, e facilitou a “olhadela” do fã enquanto Raul estava na sala de desembarque, se queixando de uma dor abdominal, e foi levado às pressas para o Hotel Reis Magos. À noite, ídolo e fã voltaram a ficar bem próximos um do outro, no show que aconteceu no Palácio dos Esportes em Natal/RN.
Encontros e despedidas
Em agosto de 1990, Vitoriano se encontra pela primeira vez com os pais do Raul Seixas na capela do Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador/BA, onde estava sendo celebrada uma missa por 1 ano de saudade do eterno Maluco Beleza. Também chegou a jantar com Dona Maria Eugênia e seu Raul Varela Seixas, e participou de uma exposição de objetos pessoais do Raul no Shopping Barra, onde, a pedido do casal, ficou “tomando conta” da exposição numa daquelas noites, enquanto aguardavam chegar a equipe do Shopping.
Vitoriano também conheceu pessoalmente o “Serrote”, Waldir Serrão, criador da primeira banda de rock na Bahia. Foi ele, ainda menino, que incentivou Raul a curtir rock. Thildo Gama, também um dos pioneiros do rock baiano, primeiro guitarrista de Raul e integrante do Grupo Relâmpagos do Rock, mais tarde rebatizado como The Panthers.
Rick Ferreira – guitarrista de Raul e seu fiel escudeiro. O encontro do maluco beleza potiguar com o Rick aconteceu em Brasília, em 2017, à convite do jornalista Pedro Wolff, onde participaram de um evento. Rick Ferreira, ao ver Vitoriano cantar, fez o convite para participar do show dele e ainda sentenciou: “Gostei! Até na hora que você trocou as estrofes da música em Há Dez Anos Atrás, me lembrou Raul”. E caiu na risada. Vitoriano respondeu que trocar as estrofes das músicas de Raul era a sua especialização. E riram todos. Rick ainda falou: “Achei lindo. Porque você canta com propriedade e sem estrelismo”. Pega, porra!
O encontro com o Sylvio Passos, o Sylvícola, poderia ter acontecido em 1994. Ficaram se encontrar na Galeria do Rock, São Paulo. Mas o Sylvio não apareceu. Vitoriano ficou meio que decepcionado, mas descobriu depois que o cara havia sido internado. Ficou tudo resolvido e tempos depois se encontraram na Passeata de São Paulo. O Kaká do Bar do Raul fez a apresentação dos dois. São amigos até hoje.
Foi através do Vitoriano que o Sylvio Passos esteve aqui em Ceará-Mirim/RN, fazendo parte do projeto “Você pergunta , o Pluct Plact Zum responde”.
Da primeira aterrissagem da nave do Sylvio Passos em Ceará-Mirim eu guardo um momento de luz. Vinha eu do trabalho, à noite, rumo a minha residência, e lá estão uns malucos sentados na calçada do Bar de Tonha. Reconheci o cara de imediato. Foi aquela alegria, aquela apresentação e esse encontro foi registrado pela câmera do meu celularzinho peba da época. E a fotógrafa foi a Tonha. Devo isso a ela e devo o encontro a Vitoriano.
Wilson Aragão, parceiro de Raul Seixas na icônica “Capim Guiné”, que para mim é a cara do Vitoriano cantando nos palcos aqui da cidade de Ceará-Mirim, ele o conheceu na cidade de Salvador, tempos atrás, e chegaram a cantar juntos em Brasília, e há informação de que as duas vozes casaram muito bem.
Com Vivian Seixas, filha de Raul, a “Vivi Pipoquinha”, como a chamava carinhosamente dona Maria Eugênia, e a Janaína Seixas, filha do Plínio Seixas, único irmão do Raul, o encontro se deu em Salvador, no ano de 1991. Anos depois voltaram a se encontrar em Brasília e São Paulo, onde Vitoriano fez uma participação no show da moça.
Outro encontro marcante foi com Edy Star, parceiro do Raul, Sérgio Sampaio e Miriam Batucada, no trabalho de vanguarda, o disco Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10, e se deu em 1994.
Vitoriano conta que sempre que se encontra com Edy, na Augusta do Bar do Kaká, pergunta quando ele vai aparecer em Natal/RN, e ele responde sorrindo: “Menino, eu não gosto de sal. O que danado eu vou fazer em Natal?”
Zé Geraldo – A conversa com o poeta de Rodeiro, Minas Gerais, rolou no camarim de uma passeata, em São Paulo. A Vitoriano Zé Geraldo revelou que sempre foi mais fã do Raul Seixas do que mesmo amigo. Nas conversas que tinha com Raul falava pra ele que era muito seu fã, e Raul respondia que ele que era fã do Zé Geraldo, e que a música Cidadão (Lúcio Barbosa), eterno sucesso do Zé Geraldo, era muito parecida com as suas. Zé Geraldo retribuía dizendo que Cachorro Urubu era uma das suas preferidas. Inclusive o Zé a gravou, primeiramente no disco de estúdio, Aprendendo a Viver, de 1994, e depois em outros discos ao vivo.
Claúdio Roberto – parceiro de Raul Seixas em tantas canções marcantes. O primeiro encontro foi em Ceilândia/DF, na casa de show O Cantador. Cláudio pediu um “beck” a Vitoriano, e o Sylvícola falou que ele não fumava. Ao que o Cláudio retrucou: “dá o jeito, aí!” E Vitoriano, para não decepcionar, saiu no meio da multidão, era mais de 6.000 pessoas, farejando até sentir o cheiro da erva venenosa, e ai perguntou para o dono da fogueirinha de papel se poderia conseguir um cigarrinho para o Cláudio. E o cara perguntou quantos ele queria. Resolvido. Levou para o Cláudio Roberto que ficou tão feliz que deu aquele abraço no Vitoriano. E ainda o pediu para acender.
E muito mais pessoas ligadas a Raul Seixas o Vitoriano conheceu nessas suas andanças: Dalva, Leno, Jerry, Elson, Mamão, Elton Frans e tantos outros que são conhecidos apenas no universo raulseixista.
“Vai!
Vai!
E grita ao mundo que você está certo.
Você aprendeu tudo enquanto estava mudo...” 🎶
Eliel Silva, 25.06.2024 ✍️

quinta-feira, 9 de novembro de 2023


 Poeminha na contramão


Andei apressado essa manhã

Queria chegar a tempo de ver

todo mundo junto e feliz

Não vi

Mas fiz a minha parte

Chegar cedo ao destino

é um exercício de disciplina

Mas o mundo mudou

Porém, o sol continua

cumprindo o seu horário

Os costumes afetam a raça humana

A natureza traz em si

o dom que lhe foi dado

no ato da criação

E tudo o mais

se transforma em pó 

e fumaça. 

(Eliel Silva, 09.11.2023)

terça-feira, 17 de outubro de 2023

 "Sobre monte de pedras também nascem flores..." 🎶
Assim cantava o Agnaldo Timóteo. E é verdade. Nem tudo se perdeu.
Trabalhando numa secretaria de escola desde que o mundo é mundo, muitas vezes tendo o nosso trabalho ignorado e até desprezado por tantos, hoje recebi uma cartinha carinhosa de Arthur, aluno do 2º Ano, Ensino Fundamental I, me agradecendo e felicitando pelo Dia do Professor. Existe, sim, uma luz no fim do túnel! Fiquei muito feliz.


🙌

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

 


 

Naquela noite em que ficamos tão felizes e extasiados no show da cantora Simone, a Cigarra, como eu desejei criar asas e seguir com ela o seu caminho! Simone foi a minha Xuxa por toda aquela década de 1980. Eu era um boy, a cantora explodia em sucesso Brasil afora, e as suas canções me tocavam imensamente. Foi nesse período que eu assisti a um show dela no palácio dos esportes, em Natal. Curioso que, tanto tempo depois, eu vi na agora “setentona”, a mesma liderança, o mesmo profissionalismo. Com músicos tão jovens, com idade para serem seus netos, a banda é um encanto. Arranjos modernos para antigas canções, porém sem se distanciar da essência das gravações originais. Eu que também brinco de ser músico, a cada show que vou, feito por esses profissionais, ao invés de criar coragem, eu me entristeço e penso em desistir de seguir essa estrada colorida, porque dificilmente numa festa que participo se consegue “tirar um som” de palco com essa maestria. Instrumentos nivelados, sem nenhum ficar mais alto que o outro, e sempre, a voz do artista em destaque. E eu me pergunto: até quando aqui pra gente vai permanecer esse amadorismo barato? É triste, mas é verdade. Sei que a noite de ontem vai ficar na minha memória enquanto eu durar. “Sangrando” eu faço aqui a minha “Jura Secreta”: Simone fez um show “Sob Medida”. E mesmo a vida sendo esse mar de “Encontros e Despedidas”, vou guardar esse reencontro com a cigarra da minha juventude e com velhos amigos dos tempos de então. Um espetáculo tão grandioso que ao final, apesar da alegria e do encanto do momento, saí de lá com aquela sensação de ser tão somente, como diz uma das suas lindas canções, estranhamente fora do set list do show: um “Pequenino Cão”. Obrigado, Simone, por esse presentão que recebi nesse ano em que completei os meus 60. Salve, a Música Popular Brasileira! Salve, a cigarra Simone Bittencourt de Oliveira! Obrigado, minha amada e meus amigos que partilharam comigo desse momento lindo!


 

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

 "Eu conheço cada palmo desse chão,
é só me mostrar qual é a direção..."
("Frete" - Renato Teixeira)

 


Ora, eu era menino nos idos de 1973, e esses trilhos de ferro, hoje quase encobertos pelo mato, me levavam para a minha terrinha Taipu, e me traziam de volta no dia seguinte. Hoje todos esses "vãos" já não vão mais, e nem vem. Estão todos ali, sepultados e esquecidos à flor da terra. Me angustia saber que a máquina preta se aposentou para descansar e outras mais modernas que vieram no seu lugar não querem ir mais além, voltam daqui, e ficam pra lá e pra cá, feito brincadeira de criança. Talvez um dia eu crie coragem, chame mais uns dois ou três destemidos e pegue essa estrada, mesmo que seja a pé, só para ter o prazer de voltar no tempo. Sei que o cansaço me dói, mas a saudade também me corrói por dentro.