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"Engolimos de uma vez a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga." Denis Diderot

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Gira girou

O texto a seguir é uma salada originada a partir da música Mundo Bom, da autoria de Agepê e Canário, interpretada pelo próprio Agepê. Ainda foram usadas na receita as músicas Roda Viva, de Chico Buarque, Fora de Ordem, de Caetano Veloso, e Êta Mundo Grande, de Martinho da Vila. Chico, Caetano e Matinho, creio, dispensam apresentações. Quanto a Agepê, algumas palavras são necessárias. Antonio Gilson Porfírio, mais conhecido como Agepê, nasceu no Rio de Janeiro em 10 de agosto de 1942 e faleceu em 30 de agosto de 1995. Sambista de primeira categoria, dono de um repertório eclético e bem escolhido, teve em Canário seu grande parceiro nas composições. Entre seus grandes sucessos estão: Menina dos Cabelos Longos, Deixa Eu Te Amar e Moro Onde Não Mora Ninguém. Um artista digno dos aplausos que recebeu.
As frases em destaque são trechos literais extraídos das músicas citadas.
Vamos ao texto e boa leitura. Espero que saboreiem o prato.


Mundo Bom

É noite. Ando pelas ruas de uma Campinas fria e nua. As mãos não ousam sair dos bolsos do agasalho. Imagens desconexas surgem em minha mente, algumas côncavas outras convexas. No caos organizado de minhas idéias ouço a voz suave e macia de Caetano. Não dou bola. Prossigo. Ele insiste:
_  Ei, alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial. A coisa parece que se tornou mais grave. Alguma coisa está fora da ordem emocional.
_ Cara, e eu com isso? – Pergunto.
_ Acorda! Sai do reino da fantasia. Você faz parte disso tudo. Eu faço parte disso tudo. Nós fazemos parte disso tudo.
_ Ah, me deixa em paz, vai. Só quero curtir o frio da noite numa cidade nua. Não me venha com comidas indigestas!
De repente, não sei como, surge por entre as árvores da praça, Chico Buarque montado num cavalo alado, com sua fala suave, porém, firme:
_ A gente quer ter voz ativa. No nosso destino mandar, mas eis que chega a roda viva e carrega o destino pra lá.
Num passe de mágica o tempo roda, num instante, nas voltas do meu coração. Rodou o mundo, rodou o moinho, rodou o pião, na palma da minha mão. A cortina fechou e abriu rapidamente. O cenário mudou e eu estava à beira de um rio onde corre leite e mel. Ao meu lado, vestido de branco, estava um Agepê tranqüilo e sereno.  Cantava com a autoridade de um profeta a clamar no deserto. A mensagem em forma de música se misturava às minhas próprias reflexões.
Eta, mundo velho e bom, bonito, colorido, boa praça.
O mundo nasceu assim. Um paraíso feito para o homem. Imagina o Brasil quando do descobrimento! Que cenários paradisíacos que não deveria ser isso aqui! Milhares de quilômetros de Mata Atlântica! Puro verde. Verde-mar! Fartura de alimentos puros e saudáveis. Sem agrotóxicos. Sem trans qualquer coisa. Coisa de Adão Eva. Mas, daí veio às maças envenenadas da ambição desmedida, da corrupção desenfreada, do lucro a qualquer custo... E o que era paraíso está virando inferno. Que pena! Mas ainda há tempo de salvar este santuário chamado terra. È hora de uma tomada de consciência. E, normalmente, sem querer dar uma de super-herói, a gente consegue. Ah, se consegue!
Atrás do lado feio da vida há coisas lindas pra se ver. Quero ver.
Enxergar o sol no meio da tempestade. Não deixar a peteca do otimismo cair. Bola pra frente.  É uma atitude a ser adotada por todos nós. Afinal como diz Martinho da Vila, na música Êta Mundo Grande Eta mundo grande, cheio de beleza,com esta imensa natureza, que o Bom Deus criou, esse mundão foi feito pra se vadiar, mas o que vale nesta vida, é o que se faz, o que se sonha, e o que se ama”. Mas aí, moçada “vadiar”, vai aí, no sentido de brincar, se divertir, vamos com calma, ok?
Gira mundo, vai girando, roda mundo vai rodando, roda gira, gira roda, me leva pra qualquer lugar. No eixo do meu dia-a-dia te deixo me fazer cantar.
Pois é, às vezes da vontade de pegar a roda vida e fugir nela pra bem longe. Sabe aquela estória tipo ilha deserta? Porém, realidade rima com gravidade, prende os pés da gente no chão. Que chato! O jeito é fugir para o universo da música e apreciar a constelação dos sons.
Tem gente que não entende que a vida é feita de açúcar e sal, de chuva e sol.  Quem sabe arrancar o veneno do peito e sair satisfeito por aí, faz da vida um carnaval.
É amigo, pensa que a vida é só melzinho na chupeta, ramalhete de flores, etc e tal? Que nada! Também tem espinhos, pedra no caminho, tem bofetada na cara, tem as tais das decepções, tem lagrima chorada. Não é mole não! Mas não precisa fazer estoque de veneno no peito por causa disso. Você será vítima dele se assim fizer. Ao contrário: bota uma roupa bonita, um perfume cheiroso, dá aquela levantada na auto-estima e vem pra roda de samba, ou vai pra Maracangalha. Você decide. O importante é estar bem!

Agepê subiu. E eu voltei às ruas de Campinas corri atrás de Caetano. Enquanto ele desaparecia em uma esquina, ainda foi possível ouvi-lo dizer:
Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem. Apenas sei de diversas harmonias bonitas, possíveis, sem juízo final...
Fiquei ali, parado naquela esquina, pensando: realmente, alguma coisa deve estar fora da ordem...
José Flávio
Campinas/SP

terça-feira, 7 de junho de 2011

Cascudo neles

O espetáculo


A peça “Gesto, Cascudo”, trabalho do Grupo de Teatro Casa da Ribeira, traz o pensamento e os sentimentos de Câmara Cascudo sobre o tempo, o gesto e a vida provinciana em Natal. O espetáculo, que tem a dramaturgia e direção de Henrique Fontes, foi um dos projetos do Rio Grande do Norte contemplados no BNB Cultural, com patrocínio do Banco do Nordeste.
“Gesto, Cascudo” foi criado em processo colaborativo com os jovens que compõem o itinerário Formativo 3 do Projeto Arte-Ação da Casa da Ribeira. Projeto este que tem o patrocínio do Instituto Ayrton Senna e da Cosern, e que acontece nas escolas públicas de Natal.
O espetáculo, que tem características das montagens teatrais contemporâneas, ou seja, um trabalho  coral, não linear, com mistura de linguagens cênicas, reconta histórias que se passam na memória de um homem de bom-humor ímpar e que revive sua infância construída a partir da solidão, da curiosidade e do sonho.

SERVIÇO

Espetáculo: “Gesto, Cascudo”
Onde? Estação Cultural de Ceará-Mirim
Quando? Terça-feira 7 de junho
Hora: 19h
Quanto? Entrada gratuita limitada
Público Alvo: Estudantes das escolas públicas

Fonte de informação: Jornalista Jorge Moreira
Secretaria Municipal de Comunicação Social – PMCM

domingo, 5 de junho de 2011

Feliz aniversário!

Erasmo Esteves 


Wanderléa Charlup Boere Salim

sábado, 4 de junho de 2011

30.000 acessos

"Do alto dos teus 30 anos 
Tu dizes que é melhor deixar pra lá 
Não tens mais ilusões quanto ao futuro 
Que pena que não saibas mais sonhar.”

(“Coragem de Sonhar” – Pe. Zezinho, scj)


Quero agradecer, de coração, aos leitores e colaboradores desse blog por hoje ter atingido essa marca dos 30.000 acessos. Isso é bom, mas também é complicado. Bom porque é a prova de que está dando certo, e complicado porque a responsabilidade aumenta. Devo confessar que as vezes me sinto assim, como diz essa parte da letra da canção do Pe. Zezinho, citada acima. A gente tem a coragem de sonhar com dias melhores para toda a gente, e é por isso que cada um, do seu jeito, vai tecendo fios de esperanças pela vida afora. Mas é difícil, é muito difícil. Quantas vezes perdemos boa parte do nosso precioso tempo redigindo textos que, mesmo feitos com a melhor das intenções, acabam ferindo alguém ou causando o descontentamento de pessoas que muitas vezes nem estão ligadas nas histórias aqui contadas, mas se fazem entrar nelas com suas mensagens devastadoras, e se escondendo na máscara do anonimato. Felizmente o número dos que mostram a cara é bem maior, e só por isso vale a pena dar continuidade ao nosso trabalho. A autenticidade tem seu preço.

"Dizem que pessoas sinceras demais, machucam. Eu acho que as mentirosas causam um estrago muito maior."

Meu Cristo jovem


Cristoteca

Hoje, a partir das 20h, na Quadra da E. E. Ubaldo Bezerra de Melo, acontece a Cristoteca, com animação do DJ Bruno Cocão (Natal). O evento faz parte do Tríduo da Comunicação, realizado pela Pastoral da Comunicação de Ceará-Mirim, que acontece de 03 a 05 de junho.

Fonte de informação: Site da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição - Ceará-Mirim/RN (link ao lado)
Imagem: Internet