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"Engolimos de uma vez a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga." Denis Diderot

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Malandragem

Vinte anos depois, Ângela Ro Ro conta por que se recusou a gravar "Malandragem"

Composta por Cazuza e Frejat no final dos anos 80 especialmente para Angela Ro Ro, a música "Malandragem" ficou conhecida nacionalmente na voz de Cássia Eller.
Depois de 20 anos, arrependida pela atitude, Angela Ro Ro conta que gostou da melodia, das guitarras mas decidiu não gravar a música porque achou a letra de Cazuza um "absurdo".
Durante a conversa, a cantora lamenta não ter recebido convite para participar do Rock in Rio e pede que Frejat a leve como convidada. "Não fui convidada para o Rock in Rio porque sou maior de 60", brinca.

Fonte UOL Entretenimento *Música

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Lá de cima

"Mas é que lá em cima
lá na beira da piscina,
 olhando os simples mortais..."
(Judas - Raul Seixas / Paulo Coelho) 



No mês de agosto o Brasil comemorou os vinte e dois anos da morte do cantor e compositor Raul Seixas. Maluco, irreverente, contestador, metamoforse ambulante, Raul Seixas era um homem à frente de seu tempo. Passou pela terra como um cometa brilhante. Deixou um legado que até hoje é preservado pelos seus admiradores e fã-clubes espalhados por todo o Brasil. Nesse texto, escrito em primeira pessoa, deixo Raul se dizer. Em algum ponto, aquele que conhece seu pensamento e sua obra poderá questionar: “mas Raul não pensava assim”. E a metamorfose ambulante? E o estar aberto a conceitos novos?  No mais, é um texto afinado com o pensamento de Raul e com muitas alusões à sua obra.
***
As aventuras e reflexões de Raul Seixas na cidade das estrelas

Meu nome é Raul. Raul Santos Seixas. Nasci em Salvador, Bahia, em 28 de Junho de 1945. Deixa eu me dizer de outra forma, que essas falas muito certinhas não fazem muito meu estilo não. Vocês estão cansados de saber que, enquanto vocês se esforçam pra ser um sujeito normal, eu por outro lado, vou aprendendo a ser louco, um maluco total, na loucura real. Controlando minha maluquez, misturada com minha lucidez.  Na verdade, “Eu sou a areia da ampulheta... Cachaceiro mal amado, o triste-alegre adestrado. Eu sou a areia da ampulheta.      O que ignora a existência de que existem mais estados, sem idéia que é redondo, o planeta onde vegeta”.  Quando nasci? “Nasci há dez mil anos atrás e não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais”.  No jogo da vida “prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo, sobre o que é o amor, sobre quem eu nem sei quem sou”.
Meu lugar agora são os espaços etéreos, as regiões mais distantes do cosmos. Gosto de admirar a beleza da lua de Júpiter... Os anéis de Saturno... Adoro passear pelas galáxias distantes. Bicho, elas são de rara beleza. Não encontro palavras com as quais possa construir uma descrição. São jardins de luzes coloridas. Uma das coisas que já aprendi, e que se constitui num dos meus passatempos favoritos, é me misturar ao brilho delas. De vez quando, o moço do disco voador me leva pra dar uns passeios surreais. É um modo de fugir da rotina.
Fui chamado aos caminhos da eternidade em 21 de agosto de 1989. Do lado de cá, encontrei respostas para as questões existenciais que sempre foram motivo de questionamento para os homens de todos os tempos. Minhas companhias aqui são selecionadíssimas! Um pessoal bem bacana! Tem um jardinzinho bem transado onde nos reunimos para bater um papo, chama-se Jardim do Éden. Quando eu chego Ghandi já está por lá, depois vão chegando Platão, Schopenhauer, Oxalá, Shiva, Krishna, Jesus Cristo. Até Crowley, aparece por lá de vez em quando.  A conversa vai longe. Entramos eternidade adentro, discutindo a evolução humana, evolução espiritual, destinos da humanidade e questões desse tipo.
Tenho meditado, ultimamente, acerca de algumas das mais belas páginas da filosofia: o Mito da Caverna, de Platão. É um dialogo metafórico entre os personagens Sócrates e Glauco. Sócrates pede a Glauco que imagine uma caverna. Dentro dela, homens que sempre estiveram acorrentados, sem poderem se locomover. A única visão que possuem é a parede em frente a eles. A única iluminação do ambiente vem de uma fogueira atrás deles. Entre a fogueira e os prisioneiros há um caminho ascendente e, ao longo deste, um muro. Ao longo desse muro passam homens transportando animais e objetos. Uns conversam. Outros passam em silêncio. Essa movimentação provoca sombras na parede à frente dos prisioneiros. Os habitantes da caverna tomam essas sombras e os sons que vem do exterior como realidade.
Se um desses prisioneiros fosse arrastado à força para fora da caverna ficaria, à princípio, completamente perdido. Sentiria dores pelo corpo devido ao fato de ter ficado tanto tempo sem movimentar o corpo. A luz do sol o ofuscaria e ele seria obrigado e desviar o olhar. Não conseguiria fixar diretamente as pessoas e objetos reais. Seria uma adaptação dolorosa até que ele conseguisse contemplar as coisas com nitidez. Igualmente doloroso seria o processo inverso, ou seja, passar da luz às sombras. Acostumados à luz, seus olhos teriam dificuldade em encarar às sombras. Certamente sofreria com a zombaria de seus antigos companheiros. Diriam eles: “o mundo lá fora não te fez bem. Te afetou a vista e ainda embaralhou tuas idéias”. Até fazê-los compreender a realidade, teria um longo caminho pela frente.
Assim também é o plano físico. A humanidade enxerga sombras na parede e crê que é realidade aquilo que enxerga. Claro, há os que conseguiram subir pelo caminho ascendente e brilharam. Há também aqueles que se esforçaram por abrir os olhos de quem estava na caverna e não se deu nada bem. Lembram do filho do dono da vinha? Pois é, ele esteve aí, há dois mil anos atrás, pregando umas verdades e o mataram pregado na cruz. Eu hein! Eu não sou besta pra tirar onda de herói...
A minha história a maioria de vocês já conhece.  Cresci menino da classe média baiana. Freqüentava os melhores clubes de Salvador. Mas o rock veio alterar a rota do trem quando fui morar perto dos norte-americanos que tinham vindo pra Bahia por causa da Petrobrás, que havia acabado de se instalar na região. Com a molecada americana ouvi os primeiros acordes daquele ritmo que modificaria meu modo de ser. Little Richard, Chuck Berry, Elvis Presley. Era brasa pura. Me envolvi com a coisa de tal forma que, quando vi, eu já estava fundando um fã clube do Elvis: o Elvis Rock Club. Depois botei a mão na massa e fundei, junto com outros amigos, o The Phanters que depois veio a ser chamar Os Panteras. O rock era, na época, uma música marginalizada. Era música tocada em subúrbio, não em teatros e salões. E eu envolvido com essa gente. Imagina o trabalho que dei pros meus pais! Os Panteras eram a melhor banda de Salvador, por isso, quando a turma da Jovem Guarda vinha à cidade e precisava de acompanhamento, era a nós que eles chamavam.  Tocamos com Roberto Carlos, Wanderléia, Ed Wilson, Wanderley Cardoso. Os meus favoritos eram os Jet Black. Até que o “cumpadi” Jerry Adriane nos levou para o Rio de Janeiro. Lá gravamos um disco que, comercialmente, não emplacou. Voltamos pra Salvador. Rapaz, entrei numa depressão, que não é bom nem falar! Aí conheci um cara que era diretor da CBS, o Evandro Ribeiro, que se tornou meu amigo em Salvador. Tempos depois esse cara me faz um convite para voltar ao Rio como produtor fonográfico da gravadora. Voltei pra cidade maravilhosa. Porém o emprego burocrático não era a minha praia. Como produtor ouvia tanta música sem qualidade e letras medíocres que resolvi gravar meu próprio LP. Aproveitei um descuido do patrão... e gravei o disco Sociedade da Grã-Ordem Cavernista Apresenta Sessão das Dez(1971). Os diretores ficaram bravos recolheram o disco da praça e, ainda por cima, me demitiram. Fizeram foi uma grande burrada. Fui pra Philips e entrei lá pela porta da frente. Depois disso me sobrevieram glórias e fracassos. A maioria dos meus trabalhos é autobiográfico. Neles eu me desnudo. Digo quem sou. A parceria com Paulo Coelho foi bem importante em minha carreira.
Uma das minhas maiores mancadas foi não ter percebido as armadilhas na beira da estrada. Por exemplo, a dependência ao álcool me trouxe uma pancreatite e, com ela, vieram dores terríveis, internações em hospitais e outros desconfortos que vocês nem queiram imaginar.  O abuso das drogas me trouxe muitos problemas e me fechou muitas portas.
Eu e Paulo mergulhamos de cabeça na obra do bruxo inglês Aleister Crowley, dentre ela, eu destaco o Livro da Lei, aliás, foi essa obra que inspirou a música Sociedade Alternativa. “Faz o que tu queres pois é tudo da lei”. Vivi isso com intensidade. Hoje eu sei que a vida é um cheque em branco, você pode preenchê-lo do jeito que você quiser, mas... A lei de Thelema é uma “faca de dois gumes”: tanto pode elevar o homem como pode também destruí-lo.  Você pode fazer o que quiser, mas não esqueça: tudo há de ter seu preço. E alguns produtos podem te sair custando bem caro...
Pra terminar digo que, algumas vezes, ouço meus fãs dizerem “Poxa porque que o Raul tinha que ter ido tão cedo. Ao que eu diria: “Quem escapa do Trem 103? Acho que era “louco demais pra ficar mais tempo por aí...”
À minha família, aos meus fãs, meus amigos, fã-clubes espalhados por todo o Brasil eu quero agradecer o carinho que até hoje vocês sentem por mim. Obrigado por preservarem minha memória e minha obra. Daqui de cima vejo o esforço de vocês e isso me emociona... Tenho que ir agora: o Chefe me chama.
Um grande abraço a todos! (Especialmente pra você Plininho, meu irmãozinho, companheiro de traquinagens na meninice).
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 José Flávio
(colaborador do Retratos & Canções)

domingo, 11 de setembro de 2011

No dia de hoje, uma canção apenas

Pensamentos
(Roberto Carlos – Erasmo Carlos)

Pensamentos que me afligem
Sentimentos que me dizem 
Dos motivos escondidos 
Na razão de estar aqui 
As perguntas que me faço 
São levadas ao espaço 
E de lá eu tenho todas 
As respostas que eu pedi

Quem me dera que as pessoas que se encontram
Se abraçassem como velhos conhecidos
Descobrissem que se amam
E se unissem na verdade dos amigos

E no topo do universo uma bandeira
Estaria no infinito iluminada
Pela força desse amor, luz verdadeira
Dessa paz tão desejada

Pensamentos que me afligem
Sentimentos que me dizem
Dos motivos escondidos
Na razão de estar aqui

E eu penso nas razões da existência
Contemplando a natureza nesse mundo
Onde às vezes aparentes coincidências
Têm motivos mais profundos

Se as cores se misturam pelos campos
É que flores diferentes vivem juntas
E a voz dos ventos na canção de Deus
Responde todas as perguntas

Pensamentos que me afligem
Sentimentos que me dizem
Pensamentos que me afligem
Sentimentos que me dizem
Pensamentos que me afligem
Sentimentos que me dizem

sábado, 10 de setembro de 2011

Aos 70



Erasmo Carlos lança clipe de "Kamasutra" e diz que deve ser o avô que jovens gostariam de ter


Dois meses depois de lançar o single "Kamasutra", Erasmo Carlos estreia agora o clipe da canção. Dirigido pelo cineasta Cacá Diegues, o vídeo mostra diversas cenas relacionadas a sexo. "Kamasutra" integra o novo disco de Erasmo, "Sexo". 
Em entrevista à revista "Rolling Stone Brasil" de setembro, que chega nesta sexta-feira (9) às bancas, Erasmo diz que completou 70 anos com "mais gás, louco para fazer mais coisas". "A molecada se assusta com o meu pique. Os jovens devem pensar: 'o Erasmo é o avô que eu gostaria de ter", disse ele, acrescentando que, para ele, "sexo é instituição, não pornografia ou sacanagem".

Ainda na entrevista, Erasmo conta que está ensaiando para o show de "Sexo", mas não revela quando levará aos palcos. "Vamos colocar umas quatro músicas novas e, é claro, tocar nos shows os sucessos dos anos 70 e 80 e aquelas que todo mundo gosta da Jovem Guarda", adianta.

"Sexo" é o 27º álbum do cantor e sucessor de "Rock N' Roll", lançado em 2009. O Tremendão contou à revista que muita gente o cobrou de lançar uma trilogia "sexo, drogas e rock and roll". "Rock e sexo já foram, mas eu acho muito pouco provável que eu grave algo com o nome 'Drogas'. isso não tem nada a ver, não faz mais parte do meu mundo".
Fonte: uol Entretenimento * Música

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Alteza



MARIA BETHÂNIA, RAINHA DA MPB


“Maria Bethânia tu és para mim a senhora do engenho em sonhos que vejo, Maria Bethânia tu és tudo que tenho...”
Esta música do compositor pernambucano Capiba gravada por Nelson Gonçalves motivou o seu irmão Caetano Veloso a batizá-la com esse nome. A baiana Maria Bethânia é hoje indubitavelmente a nossa maior intérprete. Ela estreou como cantora na     peça “Boca de Ouro” de Nelson Rodrigues no ano de 1963. Em 1964 participou dos espetáculos “Nós por exemplo”, “Mora na Filosofia” e “Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova” ao lado do irmão Caetano Veloso e os colegas Gilberto Gil e Gal Costa. Estreou oficialmente no dia 13 de fevereiro de 1965, quando substituiu a cantora Nara Leão no espetáculo “Opinião” ao lado dos compositores Zé Keti e João do Vale. Do maranhense João do Vale gravou seu primeiro sucesso “Carcará”. Em 1976 ao lado de Caetano, Gil e Gal Costa lançou o grupo “Doces Bárbaros” que transformou em disco homônimo. Em 1978 com o disco “Álibi” atinge a marca de mais de um milhão de discos vendidos, sendo a primeira cantora brasileira a atingir esse número. Em 1980 o álbum “Talismã” vendeu 700 mil cópias em apenas quinze dias. Em 1982 participa do disco anual do rei Roberto Carlos cantando com ele a canção “Amiga”, tornando-se assim a primeira mulher a participar do álbum do exigente Roberto Carlos. Essa admiração pelo Rei vem desde o tempo da Jovem Guarda quando ela apresentou Caetano Veloso àquele movimento musical brasileiro que durou de 1965 a 1968. No ano de 1993 ratifica seu respeito ao Rei ao gravar um LP só com músicas dele e Erasmo Carlos, o famoso álbum “As Canções que Você Fez pra Mim”, que vendeu mais de um milhão de cópias e foi convertido para uma versão hispânica (Las canciones que hiciste para mi) que traz clássicos como: Fera Ferida, Detalhes, Emoções, Você não sabe, Olha, Você, Costumes, Seu Corpo e, obviamente a música que dá título ao disco. Roberto Carlos, carinhosamente, a chama de Minha Rainha. Maria Bethânia revolucionou a forma de espetáculos no Brasil, intercalando músicas com poemas do genial poeta português Fernando Pessoa e Vinícius de Morais a quem chegou a dedicar um disco inteiro em 2005: ”Que falta você me faz.” Principal intérprete dos compositores: Caetano Veloso, Chico Buarque, Gonzaguinha, Milton Nascimento, Tom Jobim, Noel Rosa, Vinícius de Morais, Roberto Mendes e Jorge Portugal. Eclética, gravou quase todos os gêneros musicais, inclusive fazendo grande sucesso com a música “Negue” do português Adelino Moreira. Ela está entre as cinco cantoras brasileiras que mais venderam discos. Maria Bethânia é show, vida, emoção, espetáculo. É por essas e outras que eu a admiro muito e canto como milhões de brasileiros: “Hoje eu ouço as canções que você fez pra mim...”
José Normando Bezerra
Geógrafo e Professor
Natal,RN, setembro/2011     

Foto: Internet