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"Engolimos de uma vez a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga." Denis Diderot

domingo, 5 de setembro de 2010

Breakfast

Indigesto

Nesse sábado, quatro de setembro, quando ouvi o foguetório, ainda sonolento, pensei tratar-se de um bombardeio. Lembrei dos atentados de 11 de setembro nos EUA, quase fiz xixi no colchão. Corri pro banheiro e, depois mais aliviado, tratei de me acalmar. Fui ver a rua e um transeunte comentava que aquela barulheira toda se tratava de uma passeata de uns velhos políticos, em visita a cidade. Meio desconfiado fui tomar o meu café. Para minha surpresa o pão era do dia anterior e estava duro à beça. Conformado, falei pra mim mesmo que bem mais duro é enfrentar a lida do dia a dia, mesmo assim a gente tem que seguir tocando em frente. Terminei o meu breakfast e os fogos ao longe continuavam a estourar. Mas aí eu já estava em paz comigo. Não era a Terceira Guerra Mundial ainda. Era só uma manifestação de alguns candidatos. O problema é que, assim como os bombardeios, o efeito que alguns deles as vezes causam é quase sempre devastador. E pode durar anos e anos.

sábado, 4 de setembro de 2010

Sonhos


O publicitário e radialista mossoroense Caby da Costa Lima acaba de lançar o livro "MOSSORÓ MEU XODÓ", com fotografias antigas do município. Atendendo convite do autor, marcou presença no evento o cantor-compositor Aroldo Alves Sobrinho, conhecido nacionalmente como Peninha.
Peninha gravou o primeiro compacto em 1972, mas seu primeiro grande sucesso foi "Sonhos" (1977), incluído na trilha da telenovela "Sem Lenço, Sem Documento" e com milhares de cópias vendidas. Músicas compostas por ele já foram gravadas por cantores como Fábio Júnior, Daniel, Alexandre Pires, Roberta Miranda, Caetano Veloso, dentre outros. Há alguns anos, quando fez seu primeiro show em Mossoró/RN, foi ciceroneado por Caby, de quem se tornou amigo particular. Os mossoroenses de plantão poderão adquirir o livro de Caby na Livraria/Papelaria do Nordestão (Salgado Filho/Natal). Por ocasião do evento, Peninha, demonstrando simplicidade, deu uma "canja" com a canção "Sonhos" e depois circulou entre os presentes ao lado do amigo Caby, cumprimentando a todos.
Edvaldo Morais
(Fotos: azougue.com)
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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Falando de amor

“Ao pé de uma praça
Chamada alegria
Havia uma rua
Que responderia
O porquê dessa chuva
Sem filosofia,
A grande verdade
É que a chuva chovia.”
(Loa de Lisboa – Alceu Valença)

CANTANDO NA CHUVA

Dr. Paulo Roberto Gomes de França
(colaborador)


Tenho a estranha mania de comprar filmes em DVD e só assisti-los muito tempo depois. Pois bem, vasculhando esses arquivos inéditos para mim, achei o clássico do cinema, cujo título dá nome a esta escrita. Caro Leitor, mesmo com as técnicas da época, a produção é muito boa e, apesar do enredo açucarado, os grandes atores dão um show de sapateado. Recomendo. Sou adepto de curtir chuva, mesmo que de longe. A chuva tem um “quê” de especial que me seduz. A cena do referido filme em que o protagonista sai cantando e dançando debaixo de um temporal só porque teve um sinal positivo de que conquistara o coração da mocinha é simplesmente antológica. Diante disto tudo lá foi este escriba viajando no tempo e no pensamento e relembrando uma cena vivida em 1984. Estava apaixonado e namorando uma menina diferente de mim nas idéias que eu tinha um pouco conservadoras. Leia-se e entenda-se aqui como conservador uma cara de vinte e poucos anos que já pensava ter quarenta e acreditava que esta dita idade do lobo era só de caretice. (hoje, com mais de quarenta as vezes me sinto o menino que não fui naqueles vinte e poucos). Ela, a menina, que me apaixonara vivia importunando com minhas roupas de homem casado. Pedia que vestisse algo mais “transado”. Ai, diante daqueles apelos e seguindo o instinto dos que amam, lá fui eu para boutique de Salete Moreira e comprei as tais roupas mais modernas. Era uma calça de tecido meio mole e camisa de gola diferente e um tênis legal. Tudo em tonalidade azul. Tava bem transado. Uma curtição, segundo os termos da época ditos da boca da amada. Fiquei feliz por ela. Estava pronto esperando para que em recompensa, aquele meu vestuário fosse devidamente amassado no portão, mas eis que ao pressentir uma forte chuva se aproximava, ela me puxou pelo braço a ficamos no meio da rua deserta, abraçados, esperando o temporal nos deixar totalmente molhados. Quis até fugir daquela situação para mim constrangedora, mas já que havia atendido a mudança de hábito, por que não se render também aquela loucura molhada. Foi ótimo e inesquecível. Nós ali molhados, sozinhos. Lembro de um carro que passou ao nosso lado bem devagar. O motorista parecia nos observar e, se não fosse um romântico, deveria pensar que éramos dois doidos. Talvez fossemos. Não lembro como cheguei em casa e que desculpa inventei como também se peguei uma gripe. Só sei que foi inesquecível. Senti-me o Gene Kelly do filme que só agora vi. Coisas daquela juventude ainda com requintes da pureza que os jovens de hoje não cultivam mais. Ouvíamos Paula Toller e o Kid Abelha cantar “Como Eu Quero’ que diz o oposto do que eu estava vivendo afinal eu havia tirado as roupas sérias. Coisas daquela juventude sem requintes das malícias de agora. São lembranças recheadas de simplicidade de um coroa que hoje pensa em tomar outro banho de chuva ao lado dos filhos e da amada. A mesma daquele dia distante de um janeiro de 84, a mesma daquela rua ,a quem agora chamo de mulher. Leitor amigo, diante dessas loucuras atuais, experimente um belo banho de chuva , se não for possível, convide sua amada(o) para ver o filme que me inspirou aqui. Se não fizer uma coisa nem outra, pelo menos encontre tempo para ouvir Alceu Valença cantando “Loa de Lisboa’. Tudo a ver com chuva. Um barato, como se dizia em 1984.
 
Foto: internet

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Love Me Tender

ELVIS PRESLEY:
Um astro de brilho incomum (Parte 2)

Por José Flávio (colaborador)

Em meio à correria louca imposta por Hollywood, no vai e vem de gravações de cenas de filmes e trilhas sonoras, o ator e cantor conheceu um farmacêutico que passou a lhe receitar remédios para os mais diversos fins – um jeito fácil e rápido de resolver problemas de saúde que não tardaria em cobrar a conta.
Um fato que também chama atenção nessa fase da vida de Elvis foi o isolamento espontâneo a que se submeteu. Isolou-se em Memphis. Cercou-se de alguns poucos amigos, familiares e funcionários no que ficou conhecido como máfia de Memphis. Uma relação que era sustentada por presentes caríssimos, tais como; carros, jóias, motocicletas – dentre outros. E uma submissão de súditos em relação ao rei. Enquanto Elvis se fechava em Graceland, lá fora o fenômeno Beatles ia de vento em popa. Emplacavam sucesso após sucesso. Parecia que Elvis estava alheio a tudo de novo que acontecia no mundo da música do lado de fora dos portões. Entretanto, quem convivia com ele sentia que a depressão nele crescia dia após dia. Teria o rei um fim de carreira triste e melancólico? Haveria um retorno possível? Um renascer das cinzas?
Houve! O grande, ansiado e esperado retorno aconteceu! Em 03 de Dezembro de 1968 a NBC-TV exibia, em horário nobre, um especial de Elvis Presley. Antes do especial o cantor suava frio. Nervoso. Inseguro. E não era para menos. Contando os tempos de Exército, já era uma década longe dos palcos e do publico. A crítica já anunciava o seu declínio. Não diz o ditado que “quem é rei nunca perde a majestade”? Pois foi justamente o que aconteceu. Quando o astro subiu ao palco fez o que de melhor sabia fazer: cantar e fascinar as multidões. O show foi um verdadeiro sucesso. Um desempenho magistral. Aplaudido por crítica e público. Enfim, para delírio da multidão de fãs, o rei estava de volta.
O retorno aos palcos aconteceu na cidade dos grandes astros e estrelas: Las Vegas. Estava para ser inaugurado na cidade um hotel luxuoso: o Hotel Internacional. Quem convidar para o show de inauguração? Elvis Presley? Não! Disseram os diretores do hotel. Melhor Barbra Streisand, a estrela está em franca evidência. Vai lotar o showroom. Elvis se apresenta em seguida. A cantora, e também atriz, fez a inauguração conforme decidido pelos magnatas. Não lotou a casa uma noite sequer. Nem na tão esperada inauguração. A temporada de Elvis Presley no mesmo hotel lotou casa todas as noites. Não sobrou um lugarzinho sequer. Nessa temporada e em todas as outras que faria no Hotel Internacional.
Em 1970 começava a temporada das turnês e mega turnês. Apresentações e mais apresentações ao vivo. Aquele que havia ficado afastado tanto tempo dos palcos voltava com força total. Os críticos não acreditavam no que viam e no que ouviam. Como era possível a um cara que havia ficado tanto tempo longe dos palcos, atuando em filme de baixa qualidade, voltar agora com uma voz melhor que antes? Mais encorpada, cheia de vigor e sensualidade? A partir daí veio uma coleção de sucessos. O documentário That’s the way it is é lançado ainda em 70. Em 72, outro documentário, Elvis on Tour. Em 14 de janeiro de 1973 ia ao ar, via satélite, com transmissão ao vivo para vários países o show Aloha from Havaí (em matéria de shows, um dos melhores de Elvis, disponível em DVD). Primeira transmissão via satélite.
Tudo parecia ir bem na carreira do astro. Na vida pessoal a história era outra. Problemas pessoais e de saúde se avolumavam. Os últimos anos de vida de Elvis foram um verdadeiro calvário. A separação da esposa Priscilla, ocorrida em 1972, o deixara abalado. O coquetel de pílulas que tomava freqüentemente começou a bater à porta exigindo seu preço. Começou a ganhar peso, tanto pelo efeito dos remédios quanto pelo fato de que, durante o decorrer da vida, adquirira péssimos hábitos alimentares. A depressão veio mais forte. Mais remédios. Para perder peso, para dormir, para estimular. O pai, Vernon Presley, e amigos próximos perceberam o perigo. Quiseram interná-lo numa clinica para solucionar o problema. Elvis não admitia que fosse dependente das pílulas. Os inofensivos comprimidos não representavam nenhum perigo, dizia ele. No palco, por diversas vezes, teve que parar o show devido a problemas de saúde. Esquecia as letras das músicas durante as apresentações. A aparência debilitada assustava a quem o conhecera no auge de sua vitalidade.
Na madrugada de agosto de 1977, desfrutava suas últimas horas de vida. Jogou tênis, fez um pouco de bicicleta. Tocou piano. Foi dormir por volta das quatro ou cinco da manhã. A namorada Ginger Alden, exausta, foi dormir. Ele não. Tomou soníferos pelos menos umas três vezes em um curto período de tempo. Ainda assim não conseguiu dormir. Por volta das nove ou dez da manhã, levantou-se para ler no banheiro. O que aconteceu daí até o início da tarde desse mesmo dia, quando a namorada o encontrou caído, sem vida, no chão do banheiro, permanece um mistério.
Em 16 de agosto de 1977, a imprensa noticiava o falecimento do superstar Elvis Presley. Foi encontrado morto em sua residência em Graceland, aos 42 anos. O motivo segundo os médicos: arritmia cardíaca profunda. Estava com mais turnê marcada para a noite seguinte: 17 de agosto, em Portland, no Maine.
Depois de conhecer melhor a vida e o trabalho de Elvis, fico a me perguntar: como um cara bonito, carismático, talentoso, milionário, que alcançou fama e reconhecimento mundial, enveredou por esse caminho de depressão e tristeza. Não encontro respostas. Então deixo com vocês, como reflexão, um trecho do livro Elvis, do autor Maurício Camargo Brito: “Como se não bastassem os transtornos físicos, o astro vivia sufocado por uma tremenda pressão psicológica desde que se tornara o personagem mais conhecido do mundo. O fato de ser ELVIS PRESLEY, não era uma carga fácil de sustentar. Elvis era o nome mais famoso do planeta (continua sendo segundo várias pesquisas). Desde que despontou na década de 50, encantou crianças, adultos e avôs, qualquer que fosse a faixa econômica ou social. A idolatria por Elvis Presley superou em muito a de Valentino, a de Sinatra ou dos Beatles. Sua imagem até então vinha sendo mantida como impecável junto ao público. Para os fãs, Elvis era o sonho de uma mãe pelo filho, de um irmão caçula pelo mais velho, de uma mulher pelo seu homem. Como teria se sentido Elvis quando descobriu que forjou os costumes e transformou a sociedade? E que tudo aconteceu de maneira inconsciente. Tornou-se dono de uma das maiores fortunas do mundo da noite para o dia. Vendeu mais discos que qualquer outro artista. Ganhou mais discos de ouro que todos também. Foi quem mais lucro deu aos estúdios de Hollywood. Foi o maior nome do show-biz em Las Vegas. Seu show no Hawaí, via satélite, bateu todos os recordes de audiência da televisão, superando até a transmissão da descida do Homem à Lua. Qual ser humano teria condições de não sucumbir sob tamanho encargo?”

Fotos: internet

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Palavra de menino

“Ai, que saudades que eu tenho
Dos meus doze anos
Que saudade ingrata.”
(Doze Anos – Chico Buarque)
Diário de bicicleta

Eu era ainda um guri quando ganhei a minha primeira bicicleta. Uma Monareta, verdinha, até me lembro a cor, sensação daquele início de década de 1970, que nem era totalmente para criança nem para adulto. Ficava no intermediário. Com ela eu aprendi a pedalar. Um dia, passeando próximo à usina, sofri um acidente num barranco. Fiquei meio desgostoso com ela. Mais tarde “botei pra frente” aquele lançamento da Monark. Outras vieram depois, nunca uma Caloi, a Monark era o meu Chevrolet. E daquela primeira nunca me esqueci. Foi assim com vários objetos que conquistei ao longo da vida. Instrumentos musicais, por exemplo, tenho até hoje o meu velho violão.
Minha primeira guitarra eu “apanhei” sabe de quem?! Do amigo Gláucio Tavares. Houve um tempo em que, aos domingos, eu costumava ensaiar com uns amigos da banda Alma de Borracha. No final, corríamos para a mercearia de Dudu, para tomar umas. Sabendo ele das nossas inclinações musicais, e querendo, claro, nos prender por mais tempo ali, ia buscar a guitarra do seu filho Gláucio, ligava na caixa amplificada e deixava o som por nossa conta. Fui me apegando àquela Giannini a ponto de lhe propor uma troca. Eu havia adquirido um violão de doze cordas que estava me dando muito trabalho. Se as seis cordas já complicam, imagine doze. E o Gláucio acabou se interessando pelo instrumento. Fizemos então a transação. Passei pouco tempo com aquela guitarra, pois a deixei nas mãos de um colega de banda, para ele desenvolver melhor os seus exercícios de músico. Deu certo, hoje ele é um dos melhores. É que eu tenho mesmo um coração de Madre Teresa, apesar de às vezes parecer de leão. Depois passei a guitarra adiante. Hoje tenho apenas o velho violão. E nenhuma bicicleta.
Mas todo esse lero-lero foi só para mostrar que me apego muito a certas coisas e a algumas figuras. Outras não. Como todo mundo. Mas quase sempre é assim. E faço questão de ficar do lado de quem compõe a minha história. O resto são detalhes...

Texto e foto de Gláucio: Eliel Silva
Demais fotografias: internet