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"Engolimos de uma vez a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga." Denis Diderot

sábado, 7 de setembro de 2013

Foi assim...



Bom dia mãe! Bom dia pai!
Olha, hoje, 7 de setembro, eu vou caprichar no desfile. Por falar nisso, já engomou a minha farda? Eu não quero que D. Iolete me chame atenção. E a senhora sabe que a Escola Estadual todo ano recebe muitos elogios por conta da organização. Lembro que no ano passado a minha camisa estava tão branquinha que recebi um elogio de D. Janete. E D. Lurdinha Oliveira, que ficou encantada com o vinco da minha calça engomada!
É, mãe. Mas nesse ano de 1976 eu quero me empenhar na hora do desfile. Quando eu passar com meus colegas em frente ao palanque, vou caprichar na “marcha”. Quero mesmo que a nossa escola se destaque, como sempre.
Vocês ouviram aquele toque ontem à noite? Era a banda da nossa escola. Os meninos ensaiaram até tarde. A turma toda está muito empolgada.
Por falar nisso, não sei se é a ansiedade de desfilar, ou se foi o susto que tomei quando o professor Paulinho me convidou para “puxar” o Hino da Independência, na sala de aula ontem; o fato é que essa noite eu não dormi muito bem. Sonhei quase que a noite toda. Num desses sonhos, eu me via no ano 2000, 2005, 2010... não sei bem qual era o ano. E eu conversava com dois amigos radialistas como eu (será, mãe, que no futuro eu vou ser radialista?); falávamos sobre um 7 de setembro em nossa cidade, sem desfile, sem Hino Nacional, sem Hino da Independência, sem nada. E na televisão, com imagem em cores, mãe, a gente via muita gente envolvida em manifestações por todo o país. A coisa tava feia, meu pai. Havia muita coisa errada em nossa Nação. Será mesmo que isso vai acontecer? Será que vão deixar o nosso país se transformar nesse pesadelo? Um país tão rico, tão bonito, onde a própria natureza o transforma num paraíso! Essa semana mesmo eu falei sobre essas riquezas do nosso Brasil numa redação, onde só recebi elogios da professora Lucidalva.
Agora vou tomar meu café. À tardinha eu vou desfilar, minha mãe! Vou fazer o melhor que puder, meu pai! Farei sempre assim! Mas alguma coisa me diz que no futuro tudo será bem diferente.
Eliel Silva, 7 de setembro de 2013.
Imagem: Internet

4 comentários:

Bel Silva disse...

Assim o foi. E, ao contrário da música, parece que algumas pessoas desaprenderam a ser gente.
Bel. :)

ELIEL SILVA disse...

Poxa, Bel, gostei do comentário! Pequeno, mas f*(deroso). Pena que você continue com preguiça de escrever. Beijo. Pai.

José Flávio Santos de Carvalho disse...

Oi Eliel,
Gostei do resgate que você fez. Tenho saudades da beleza daqueles desfiles e do sentimento de brasilidade que neles desfilava. O zelo, é uma questão que chama à atenção. Zelávamos pelo uniforme, pela marcha, pela música... era tudo tão belo. Acho que os nossos governantes deveriam voltar àqueles tempos e aprender essa questão do zelo. Assim eles aprenderiam como é importante zelar pelo nosso povo, pelo bem público de nossa nação, pelos poderes públicos em todas as suas esferas. Seria tão bom ver o nossso país crescendo feito um brasileirindo cheio de esperança no futuro...

José Flávio Santos de Carvalho disse...

Oi Eliel,
Achei bacana esse resgate que você fez dos desfiles de 7 de setembro.
Era muito bonitos. Zelávamos pelo uniforme, pela marcha, pela música... E a empolgação da molecada? Era demais! Os tempos passaram e essa questão do zelo foi ficando meio esquecida. Que bom se, nós cidadãos, e nossos governantes retomassemos essa questão... Quão bom seria se nossos políticos zelassem pelo nosso povo e pela coisa pública em todas as suas esferas... Que bom seria ver o nosso Brasilzinho crescendo forte e saúdavel, livre dos males da corrupção...