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"Engolimos de uma vez a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga." Denis Diderot

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Análise descontraída

“Daqui do meu lugar, eu olho teu altar,
E fico a imaginar aquele pão, 
aquela refeição.”
(Daqui do Meu Lugar – Pe. Zezinho, scj)


Banda Municipal Tenente Djalma Ribeiro

Do meu lugar

Fui a entrega dos títulos de cidadão e cidadã cearamirinenses, versão 2011, concedidos a algumas pessoas que, segundo o regimento, prestaram ou prestam relevantes serviços a sociedade, e quase todas elas bastante conhecidas em nossa cidade. Particularmente, fui prestigiar a homenagem ao amigo Edvaldo Morais, um dos agraciados com a comenda. Fiquei feliz em saber, já no local do evento, que outros merecedores do título também o receberiam naquele momento: Ivo Maia (artista plástico), Severino Xavier (Xavier Enfermeiro), Severino Pinheiro Martiniano (o popular Bill), Mágna Céli, João Raimundo ("seu" João da COSERN).
Professor Caio Azevedo

A banda de música municipal, que parece ressuscitada, tocou na abertura do evento. Foi exibido um documentário sobre Ceará-Mirim (produzido ainda na gestão do prefeito Roberto Varela). O professor Amâncio acompanhado por um amigo, oportunamente entoou a canção “Cio da Terra”, de Chico e Milton. Seguiu-se a leitura das biografias dos indicados ao título, feita com muita maestria pelo chefe do cerimonial, o professor Caio Azevedo. Algumas bastante extensas, outras nem tanto. E por incrível que pareça, foram bastante breves as dos políticos ali presentes. Mas as histórias de pessoas simples, como por exemplo, o senhor Severino Xavier, o popular Xavier Enfermeiro, foram com certeza as mais comoventes e interessantes. Lá do meu lugar, na última fileira de cadeiras, eu estava atento a tudo e a todos: aos cochichos, aos bochichos, e até aos cochilos de alguns da platéia.

Edvaldo Morais e D. Francisca Lopes

O ator Múcio Vicente e sua pequena trupe entrou em cena, e que cena, quebrando qualquer gelo que pudesse estar criado ali, naquela ocasião repleta de formalidades. Em suas mãos ele tinha o rascunho de uma poesia de sua autoria, criada exclusivamente para aquela ocasião, que despertou em todos o desejo de urgência em se fazer alguma coisa mais relevante pela cultura do nosso município. E à medida que ele citava de forma poética a história de alguns dos nossos patrimônios, ora decadentes, o público se emocionava e aplaudia.
Depois, e até pra amenizar o clima de tristeza que se abateu nos corações, diante daquela narrativa tão real, e à pedido do historiador Franklin Marinho, o ator contou a bem humorada estória da encenação da Paixão de Cristo, de Chico Pedrosa, o que fez todo mundo se acabar de rir, inclusive o Pe. Bianor, presente na solenidade.
O professor Amâncio cantou "Cio da terra" 
de Chico e Milton e o Hino de Ceará-Mirim, 
do compositor José Luiz

Mas, vou lhes contar: momento marcante mesmo, eu diria, foi quando a jovem Bárbara Nunes, da equipe de Múcio, recitou, e com direito a encenação, a poesia Lamento de Ilha Bela, da poetisa Ana Maria Costa dos Santos, uma antiga moradora daquela localidade. Tudo tão real, falando da sua decadência, da destruição, do abandono, e solidão daquele lugar, e hoje da saudade dos seus ex-moradores. Vi gente ali, entre as pessoas presentes, empalidecer. Gente que de certa forma “tinha culpa no cartório” por aquela realidade. Na verdade acho que a culpa é de todos nós. Quando a gente se cala diante dos fatos, nos tornamos cúmplices.
Quase não tirei fotografias. Também havia vários fotógrafos oficiais, e confesso que me senti meio deslocado. Mas guardo uma impressão de tudo que vi e ouvi. Guardo sim! Só para mim.
Bárbara Nunes - emoção à flor da pele

Créditos:
Texto e fotos: Eliel Silva  

Um comentário:

Blogartes disse...

sutileza e veracidade dos fatos, parabens, sempre fui e serei fã da sua narrativa, abraço amigo.
Múcio Vicente!