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"Engolimos de uma vez a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga." Denis Diderot

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

That’s all right mamma

ELVIS PRESLEY:
Um astro de brilho incomum (Parte I)

Por José Flávio (colaborador)

06 de Julho de 1954. Noite quente e gostosa de verão em Memphis, Tennesse. Nos abafados estúdios da Sun Records estava Sam Philips na parte técnica. Sob seu comando estavam três jovens talentosos: Scoot Moore na guitarra, Bill Black no contrabaixo e Elvis Presley na voz e no violão. As sessões de gravação haviam começado na primeira noite de Julho. Já haviam passeado por diversos estilos indo do pop ao gospel, passando pelo country e pelo R&B. Elvis era afinado, cantava bem. Os rapazes davam show na guitarra e no contrabaixo. Mas o som que estavam produzindo era tudo muito igual ao que já existia. E Sam Phillips, dono da Sun Records, procurava um diferencial. Algo completamente novo. Seu maior sonho era encontrar um branco que cantasse como negro. Cansados de tantas tentativas pararam para um lanche.
Dizem que “quando o gato sai os ratos fazem a festa”. Foi bem por aí. Aproveitando a ausência do chefe na sala Elvis pegou o violão e de forma alegre e descontraída começou a cantar That’s all rigth mamma, um antigo sucesso de Arthur Crudup. Scoot e Bill deram prosseguimento à farra. Quando Sam retornou e viu aquela brincadeira, correu imediatamente para a técnica. Os rapazes ficaram com aquela cara de “ih, o chefe chegou!” Quiseram parar. Sam incentivou: “Vamos, continuem!”. Ele havia finalmente encontrado o que procurava. Na mesma noite gravaram também Blue Moon of Kentuck, um country gravado anteriormente por Bill Monroe. Dessa loucura naquela noite de verão, nascia uma música que abalaria as estruturas da música norte-americana: o rock e um cara que se tornaria uma lenda no cenário musical mundial: Elvis Presley.
Com as duas músicas gravadas Sam, imediatamente, procurou Dewey Philips, Dj local que apresentava o programa radiofônico Red Hot and Blue, e pediu para que tocasse as músicas. Dewey atendeu o pedido. Choveram telefonemas à rádio pedindo que repetissem as músicas. O resultado vocês já conhecem.
Esse primeiro disco de Elvis, gravado pela Sun Record, teve o efeito de uma bomba. Explosivo tanto quanto. Numa Memphis conservadora, quem ousaria misturar melodias brancas e negras numa mesma música? Impensável para os mais lúcidos! Sam Philips ousou. E muito! That’s all right mamma foi cantada nesse disco como country, enquanto na versão original era um blues. O inverso com Blue Moon of Kentuck, na gravação original um country, recebia com Elvis uma roupagem de blues. Ou seja, o cara já chegou subvertendo as regras da equação musical da época. Resultado muita gente torceu o nariz. Muitos DJs relutaram em tocar as músicas, entretanto o disco aconteceu. O nome Elvis Presley em poucos meses já era bastante popular. Um sucesso regional. Entretanto, aos poucos, Elvis foi se tornando grande demais para a pequena gravadora.
As raposas são animais espertos e enxergam longe. Em fins de 1954, a carreira de Elvis começava a decolar, mas ele era conhecido apenas no Sul do país. Uma raposa estava a sua espreita, cercando-o. Queria empresariar o menino. Seu nome Tom Paker, mais conhecido como Coronel, empresário esperto, ambicioso e bem sucedido do show-biz. Conseguiu tirar o cantor da Sun Record e levá-lo para uma grande gravadora: a RCA. Essa transação custou aos cofres da RCA, nada mais, nada menos que U$ 40 mil dólares. Sendo que U$ 5.000 mil foram para o bolso do cantor. Se U$ 40 mil dólares é uma grana boa hoje, imagine em 1955. O contrato com a RCA foi assinado definitivamente em 21 de novembro de 1955. Representou uma grande virada na carreira do cantor.
A partir daí a indústria fonográfica e, posteriormente, a cinematográfica, o transformou numa máquina de ganhar dinheiro. Muito dinheiro! Milhões de dólares! Ao ser alçado a condição de super star em tão pouco tempo o jovem talento perdeu sua vida própria. Não só pelo fato de que não podia sair mais as ruas como qualquer pessoa, por razões obvias, mas também pelo fato de que passou a ser manipulado pela indústria para fins comerciais e de marketing. Foi considerado, no início de sua carreira, má influência para a mocidade. Era preciso mudar a imagem de rebelde. Era preciso transformá-lo num produto que fosse facilmente consumido não apenas pelos jovens, mas também pelo restante da família. Então que tal uma boa jogada de mestre. O Exército? Perfeito! Caía como uma luva. E lá se vai Elvis servir ao Exército em 1958, sob ampla cobertura da imprensa. Servindo na Alemanha, conheceu a jovem Priscilla Beaulieu que viria a ser a Sra. Presley, com a qual teve uma filha: Lisa Marie - Lisa veio posteriormente a se unir a Michael Jackson com quem passou dois anos casada. Provavelmente foi no Exército que Elvis conheceu suas maiores inimigas: as anfetaminas – comprimidos que foram companhia constante no restante de sua vida. Outro fato marcante na carreira e na vida pessoal do astro ainda nesse período, foi a morte de sua mãe Gladys. Gladys sempre fora uma mãe superprotetora. Elvis aos quinze anos de idade ainda era levado pela mãe à escola, conta seus biógrafos.
Enfim o fenômeno retorna do Exército em 1960. Volta diferente. Já não é o rebelde que na década anterior era visto com maus olhos pela sociedade conservadora. Mudou também o comportamento. Ele que sempre fora tido como um cara bonachão, alegre, simples. Mostrava agora, por vezes, um lado agressivo, arrogante. Ainda na adolescência uma de suas paixões era o cinema. Fascinava-se com as interpretações de James Dean e Marlon Brando. Pediu e o coronel o levou também a Hollywood. Na década de 60 afastou-se dos palcos, do público e dedicou-se quase que 100% a sétima arte.
A carreira no cinema havia começado antes de entrar para o serviço militar, em 1956, com o filme Love me Tender(Ama-me com ternura, 1956). Essa fase de sua carreira abrangeu o período de 1956-1969. No total foram 31 filmes e 02 documentários. Entretanto essa passagem pela telona representou uma faca de dois gumes para a carreira do cantor e, agora, ator. Hollywood percebeu rapidamente a fórmula: Elvis Presley = milhões de dólares. Sabendo disso produziu filme após filme num ritmo frenético. Nem ao menos terminava um e já outro era iniciado. O resultado disso foi uma série de filmes medíocres, com o ator desempenhando papéis fracos em roteiros mais fracos ainda. Os filmes sempre vinham acompanhados de trilha sonora, que, feita às pressas, resultava em discos cuja qualidade técnica deixava a desejar. Claro que Elvis não estava satisfeito com essa situação. Desde o início queria atuar de verdade. Interpretar papéis sérios. Era esse seu objetivo quando entrou para o fascinante mundo do cinema. Porém nem o coronel, nem Hollywood, estavam interessados nisso. Os filmes estavam fazendo com que entrasse muito dinheiro em caixa, portanto, para que mudar isso?

Fotos: internet

domingo, 29 de agosto de 2010

Em algum lugar...

Estão voltando as flores...

e para muitos a vida vai seguindo...


mesmo se lhes falte um pedaço.
Fotos: Eliel Silva (29.08.2010)

sábado, 28 de agosto de 2010

Menino não entra!

O rei e elas


Roberto Carlos vai fazer show exclusivo para mulheres


O cantor Roberto Carlos vai proibir a entrada de homens em show a ser realizado no dia 21 de novembro no Anhembi, em São Paulo. Além da plateia, todos os postos de trabalho do show serão ocupados por mulheres.
A exceção serão os músicos da banda do cantor, que, mesmo assim, terá a ajuda de uma orquestra de cordas feminina no palco.
A informação é da coluna Mônica Bergamo, publicada na Folha desta sexta-feira (27). A íntegra da coluna está disponível para assinantes do jornal e do UOL.
Segundo Dodi Sirena, empresário do cantor, a ideia do show foi de Hebe Camargo.
A renda da festa será revertida para uma entidade voltada para a prevenção de doenças como o câncer de mama.

Fonte: Folha.com
Foto: Rafael França/TV Globo

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Dé jà vu

“Bichos Escrotos
Saiam dos esgotos
Bichos Escrotos
Venham enfeitar
Meu lar!
Meu jantar!
Meu nobre paladar!...”
(Bichos Escrotos - Nando Reis /
Arnaldo Antunes / Sérgio Britto)

OS INVASORES

Caminhando, devagar e sempre, pela cidade para ir à luta, fico observando um grande número de veículos com adesivos de candidatos, isso sem contar os carros de som, esses tiranos. Algo que se repete a cada campanha eleitoral. Outra coincidência: quase nenhum estampando propaganda de um candidato daqui. E não tentem justificar que essa falta de apoio se dá devido a pouca (ou nenhuma) experiência do candidato conterrâneo com o cargo almejado. Experiência se adquire no exercício da função. E a história mostra que políticos veteranos têm cometidos os piores absurdos. Não tem jeito, recomeçam então os velhos conchavos, as costumeiras barganhas. Como sempre acontece, o povo é quem vai pagar por isso. Faz-me lembrar um antigo locutor anunciando, com sua voz possante, a exibição de um velho longa metragem que de tempos em tempos aporta por aqui: “De volta a Ceará-Mirim, etc. e tal...” É o filme que se repete. É a praga que continua...

“Preparar a nossa invasão
E fazer justiça
Com as próprias mãos
Dinamitar!
Um paiól de bobagens
E navegar o mar
Da tranqüilidade...”
(Rádio Pirata - Luiz Schiavon/ Paulo Ricardo)

Texto: Eliel Silva
Fotos: internet

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Bem Retratos & Canções

ODEIO MESINHAS



No fim do mês haverá show de Roberta Sá no Boulevard e eu não vou. É que gosto dela, mas odeio mesinhas. Aqui em Natal existe essa moda de venda de mesas em todos os shows. Em primeiro lugar, é muito inconveniente: se você quiser ir ao show só, não dá.
A não ser que queira pagar por quatro lugares e ficar lá com cara de tacho. Então tem que sair à cata de outras três pessoas ou outro casal para dividir. Mas o pior mesmo é ver, no meio do show, o povão enchendo o bucho de filé com fritas enquanto o artista se apresenta. Como se estivessem numa churrascaria, ouvindo seu Dedé dos teclados.
Acho uma falta de respeito. Na última vez em que estive no Boulevard foi pra ver Ney Matogrosso, que eu adoro, mas um garçom ficava passando com bandejas o tempo inteiro na minha frente, até que eu montei uma barricada pra que ele não passasse mais.
Tá, coitado do garçom, não tem culpa, estava só fazendo o serviço dele, mas eu é que não ia pagar por isso. Estava lá pra ver a performance (e que performance) de Ney, e não o vaivém de um prato de batata frita. Além disso, o Boulevard é terrível, não tem acústica. É casa de recepção, e não de shows.
Recentemente houve show de uma banda cover dos beatles em outra casa de recepções, o La mouette, e também só havia mesas. Não fui. Porque ou você é o primeiro a saber e consegue pegar a mesa em frente ao palco, pagando caro, ou fica lá no fundão, sem conseguir enxergar a banda, e nesse caso acho muito mais econômico ficar na minha casinha ouvindo Beatles – original.
Outro dia fui também pra um festival de jazz, e lá estavam as malditas mesinhas e cadeiras de plástico brancas, ainda por cima todas vestidas com uma sainha, tipo aquelas usadas nos buffets, em casamentos.
Parecia que eu tinha ido a uma recepção de casamento e não sabia. Não nego: sou radical. Pra mim, show em ambiente fechado só serve de duas maneiras: sentada confortavelmente na cadeira de um belo teatro, curtindo tranquila e comportada uma boa apresentação, ou de pé, na pista, tomando uma caipirinha ou uma dose de vodka (ou cerveja, vai do gosto do cliente), dançando bastante se o show for legal ou conversando e falando mal das bandas se estiver ruim (eh eh eh, como no recente Festival Mormaço).
Odeio mesinha em show. Mesinha é pra restaurante, boteco, barzinho (com música ambiente ou mesmo com uma banda, dependendo do som) e, claro, recepção de casamento.
Por Lisandra – Natal RN
Texto publicado no site: www.ailtonmedeiros.com.br em 25/08/2010