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"Engolimos de uma vez a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga." Denis Diderot

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Coisa pra cinema

“Batizamos todos animais
Bem no principio, bem no principio.
Batizamos nossos ancestrais
Bem no principio, há muito tempo atras.

Bicho sujo, lixo mal cheiroso,
Ele come tudo que encontrar
De cabeça baixa, rabo torto,
Porco é como vamos chamar!”
“Batismo dos Bichos”
(Man gave name to all the animals)
Bob Dylan – Versão: José Jorge
 – Interpretação: Ruy Maurity


Nova arca
(Crônica de não dormir)

Acontece sempre à mesma hora. Parece que é quando a garotinha tem que ir pra escola e não pode levar com ela a sua amiguinha, então tem que deixá-la na casa da sua avó (avó da menininha, é bom que se diga). E é assim que, quando penso em dar aquele cochilo, lá se vai a porquinha nos braços da sua dona: cuim, cuim, cuim... A pequena não sabe que suino nunca foi bicho de colo. Mas não é que a danadinha é a cara do Babe, o porquinho atrapalhado! Meu cachorro é que fica arretado quando ela passa com aquela sua lamentação: cuim, cuim, cuim. Corre pelo quintal, late, esperneia. Já vi por aí muitos bichinhos de estimação, alguns até estranhos mesmo, mas porco, esse eu estou vendo agora. Mas isso não é de se admirar, não. Na rua em que eu moro costuma mesmo aparecer coisas assim. Tem cavalo na calçada, galinha na porta (dos outros), tem guiné no telhado, tem pássaros aprisionados... Costumo até dizer que essa rua é uma arca sem dilúvio (e sem um Noé específico). É verdade. Aqui tem de tudo um pouco (algumas coisas até em maior quantidade!) e não há outro jeito, é tentar viver em paz e harmonia com a fauna local. Mas cá entre nós, tá difícil dormir com um barulho desse!

Créditos:
Texto: Eliel Silva
Imagem: Internet

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