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"Engolimos de uma vez a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga." Denis Diderot

quarta-feira, 17 de junho de 2026


Hoje pela manhã eu estava no escritório da operadora da minha internet, aguardando a minha vez de ser atendido, e fiquei passeando pelo Facebook, no celular, para ver besteiras, como as que escrevo. Chegou uma senhora, daquelas bem decidida e foi logo se adiantando, ignorando o casal que estava sendo atendido e a mim, que estava sentado num canto, quieto e cabisbaixo. Ela foi logo solicitando o carnê com as faturas. A atendente viu que a mulher era tarja preta e nem questionou. Solicitou o CPF dela e passou a fazer dois serviços ao mesmo tempo. Nesse ínterim, na televisão falavam sobre os jogos da copa. Pronto. A mulher olhou pra mim e perguntou o que eu achava da Seleção Brasileira. Pra cortar o barato dela, eu fui sincero e taxativo: "não estou confiante, não. E pra ser sincero, eu nem assisti ao jogo. Adormeci." Nem quis falar que na verdade eu estava era de porre. Vai que ela me condenava de vez. Mas foi só um pé para ela abrir o verbo. Desceu o cacete nos jogadores. Ela entendia da coisa! E veio mais falar comigo sobre a situação do Palmeiras. Ora, eu que de palmeiras só tenho notícias das Imperiais, da praça da Intendência, tal o meu grau de entrosamento com o futebol, só fazia balançar a cabeça, feito lagartixa. Concordando com tudo que ela falava. Daí ela resolveu me perguntar o que eu tinha ido resolver. Pra me livrar do assunto do futebol, já que a minha bola anda muito murcha ultimamente, falei a verdade. Tive que entrar na minha vida pessoal, razão que me levou até o escritório. Pronto. A mulher virou psicóloga. Foi me aconselhar. Só faltou me dar um banho de sal grosso. Felizmente, como num passe de mágica, a moça atendente desencravou o carnê da mulher, ela pegou, se despediu de mim, me desejou boa sorte, e foi embora. Me livrei de uma penalidade. Mas saí de lá meio brocoxó. Acho que foi olhado. Aff Tempos difíceis, esses.

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