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"Engolimos de uma vez a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga." Denis Diderot

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Muitos dezembros depois

“Os meus olhos têm a fome
Do horizonte
Sua face é um espelho
Sem promessa
Por dezembros atravesso
Oceanos e desertos.”
(Dezembros – Fagner/Zeca Baleiro)


DEZEMBRO
Paulo Roberto França

A minha empatia com dezembro vem de muito longe. Dezembro é um mês que tem gosto de caju, cheiro de coisa nova, cor azul. Na reta final de cada ano, eis que ele chega anunciando a nossa festa da Conceição, o Natal, os abraços,o verão , as férias, o resumo do que fomos e os planos mirabolantes para o próximo ano . Eu não me esqueço dos dezembros da meninice. Os presépios me marcaram muito, principalmente o da nossa vizinha, D. Maria Correia. Todo dia passava para visitar aquele presépio tão bem armado e zelado por ela, que me deixava entrar e parar no tempo olhando aquela cena parada que me dizia muito. Ainda agora me vem o cheiro gostoso que exalava do ambiente. Um cheiro de flores do campo que me embriagava sem que conseguisse saber de onde vinha. Tinha também o presépio da Igreja, onde o sacristão me suspendia para que alcançasse colocar moeda na santinha que sempre balançava a cabeça num gesto de agradecimento. Marcaram-me também os jantares de minha avó após a Missa do Galo. Sempre tinha bolo e guaraná champanhe; coisas raras lá em casa nos outros dias. Tinha também os passeios nas calçadas puxando os carrinhos no cordão, exibindo assim o presente de Papai Noel para os outros amigos e, ainda o tradicional passeio à Barra de Maxaranguape, para tomar banho de mar e lavar as maledicências do ano findo. Coisas de dezembro.
Os dezembros da Festa da Padroeira foram demais. A roda gigante do Parque São Luis e a onda marinha de Seu Quinô levavam parte do nosso pouco dinheiro. Quem de nós, hoje quarentões, não tomou cerveja nos botequins ouvindo o Lp novo de Roberto Carlos? Quem não vestiu roupa nova para festa do dia 8, no Centro Esportivo, onde ao som dos “Terríveis” se amassava as primeiras namoradas? Quem não curtiu o sol de Jacumã ?Coisas de dezembro. Só de dezembro.
Agora, vivo dezembros diferentes já sem aqueles belos e simples presépios, apenas tenho um em miniatura que fica na sala quase imperceptível, talvez escondendo minhas saudades; sem os carrinhos na calçada, pois meus filhos não crêem em Papai Noel e já me pediram um brinquedo eletrônico que nem sei pronunciar o nome, enquanto faço cálculos prá vê se posso comprar e nos seus boletins escolares prá vê se passarão por média . Até acho legal andar pelos shoppings. É tudo bonito, mas superficial, sem falar nas mudanças da festa da padroeira. Pode até ser mais organizada, mas cheia de gente estranhas em busca de bandas de muito mal gosto. O sol continua na praia, porém causando mais males na pele conforme dizem os especialistas. Apesar de tudo continuo amando dezembro, porque ele ainda me traz gosto de caju, aguça meu olfato com coisas novas e continua infinitamente azul; basta “mirar” a procissão da Imaculada na ladeira do Patu, para sentir o tom celestial que cobre Ceará Mirim. Coisas de dezembro. Só de dezembro. Inesquecíveis dezembros.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Perdidos e achados

"Vou buscar
Além do arco-íris
Um canto azul de paz
Pro meu amor..."
 
(Além do Arco-Íris - Benito Di Paula)

O pote de ouro

Juro que se pudesse decifraria essa dor medonha de todos os dias. Quem me atirou tamanha pedra? Mexi nos pergaminhos e só vi receitas de bolos e coisas assim. Mas eu queria uma chave, uma palavra mágica, um ungüento certeiro. Fiz que ficava, mas fui adiante. Pensei assim passar um trote no tempo, que sempre esteve comigo, caminhando lado a lado. Até que deu certo. Encontrei um tesouro que já havia ignorado o seu mapa. Foi à custa de muitos tropeços que acabei me esbarrando no pote de ouro. Nada de retroceder agora. O sonho segue adiante e eu tenho que viver. Vamos construir um novo mundo antes que dobrem os sinos.

Texto: Eliel Silva
Foto: Internet

sábado, 26 de novembro de 2011

DEDÉ SIMIÃO EM RECITAL SOLO


             No próximo dia 29/11, terça-feira,   as 16 horas, no auditório da Escola de Música da UFRN, em Natal, o músico cearamirinense Dedé Simião estará realizando recital solo de música instrumental no violão. Evento faz parte da etapa final do seu curso de bacharelado. Na oportunidade Dedé estará sendo avaliado por uma banca de três professores. Familiares e amigos estão sendo convidados a compartilhar um importante momento na vida acadêmica deste talento de Ceará-Mirim.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Sem censura... espero!

“Vem,
De tanto andar a teu lado
De tanto cruzar o sertão
Serás meu amigo
Onde terei meu lugar e meu trem...”
(No Céu, Com Diamantes – Beto Guedes/Ronaldo Bastos)


As profecias
Quando vocês forem saber de mim talvez já seja um pouco tarde. Talvez já não adiante tentar parar a locomotiva. Existe um trem desgovernado cruzando as linhas tortas dessa nossa louca vida. Nem me importa o resultado da votação no Congresso. Ela, e somente ela, vai mudar o curso da história. Musas e bruxas as vezes se confundem, mas só depende do olhar de quem as vê. John Lennon teve a sua e foi feliz do seu jeito. Não se deve brincar com as deusas, não se deve contrariá-las. Todos os astros haverão de nos orientar. Nada de conspiração contra nós. O céu é o limite, mas ele já não pode esperar tanto tempo assim. Meteoritos cortarão a noite, mas estaremos seguros. Abrigarei-me em seus montes, nossas ruínas ficarão para trás. Haverá choro e ranger de dentes, sim, só que de tanto prazer. A tigresa me aparecerá desnuda. Vai me atrair com suas garras. O som da sua voz vai me levar à loucura. Vou fenecer. Renascerei depois na planície que eu sempre imaginei, quando aquela mulher de beleza agreste me pegar pela mão e me levantar do chão.
Texto e foto: Eliel Silva