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"Engolimos de uma vez a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga." Denis Diderot

terça-feira, 15 de março de 2011

Me dê motivo

Sebastião Rodrigues Maia, popularmente conhecido como Tim Maia (Rio de Janeiro, 28 de setembro de 1942 — Niterói, 15 de março de 1998). E lá se vão treze anos sem o Tim. O blog presta homenagem ao síndico com essa canção do tremendão, seu amigo de adolescência, parceiro de cartas e baladas.
Tim
Composição: Erasmo Carlos

Tim
Por que voce foi embora?
Um pouco fora de hora
Nem ao menos se despediu

Tim
Não faça isso comigo
O mundo tá em perigo
Nostradamus não mentiu

Tim
É bomba atrás de bomba
Parece guerra de arromba
Não sei onde vai chegar

Tim
Conforme voce dizia
E eu sei que voce queria
A festa não vai parar

Tim
A turma aqui vai levando
O povo sempre cantando
Seu "Azul da Cor do Mar"

Tim
Parece até brincadeira
Imagina a bebedeira
que nós dois vamos tomar

Quem sabe sai até um novo hit
quando a gente se encontrar?

Imagem: internet

segunda-feira, 14 de março de 2011

"Porque o instante existe..."

Motivo
Cecília Meireles

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

* Parabéns do blog a todas as pessoas que fazem do seu dia a dia uma poesia, por mais que a vida insista em querer o contrário.


Sobre a poesia

Não sei muito bem a primeira vez que li uma poesia, mas me recordo das muitas vezes, ainda na infância, quando ia à biblioteca pública tomar emprestados livros de contos e poesias infantis. Ficava maravilhado com aquelas estórias e versos tão simples e encantadores, que engrandeciam os sonhos e pensamentos de uma criança, que ainda sem conhecer o velho lugar-comum, já sabia que “quem lê viaja.”
Segundo o dicionário Aurélio, poesia é a “arte de escrever em verso.” Para mim a poesia é algo assim... como posso explicar....vejamos... sei lá! Certa vez, conversando com uma pessoa de muita estima, ela falou que o sentimento não se explica, se sente. A poesia é a mesma coisa, não a explicamos, a sentimos. Então amigo leitor, não se preocupe em explicar ou entender a poesia, apenas se permita senti-la. Deixe-a imergir no fundo de sua alma, e você verá a quão gostoso sentimento a poesia nos leva.
Também não se preocupe com o estilo ou escola literária. Não pergunte se é uma poesia parnasiana, concreta, barroca ou pós-moderna, apenas sinta. A propósito disso, Órris Soares, prefaciando uma das edições do livro “Eu e outras poesias”, do Augusto dos Anjos, diz que “Isso de escola é esquadria para medíocres. Só existe uma regra de escrita – a do escritor apoderar-se de sua língua e manejá-la de acordo com seu individualíssimo sentir.” Assim, deixemos a escola literária de lado.
Ler uma poesia é mergulhar nas mais profundas entranhas do poeta, é se embebedar na sua dor ou alegria, é viajar pelo mundo da sensibilidade, da subjetividade. Não lembro quem falou isso, mas certo poeta disse um dia de maneira figurativa que “todo poeta é mentiroso.” Mas a poesia é uma mentira do bem, que não faz aparecer verrugas na ponta do nariz e nem o faz crescer.
Outro dia estava lendo Augusto dos Anjos para meus sobrinhos de quatro e sete anos. Quanta audácia e ingenuidade de minha parte! Lê para duas crianças que ainda estão rabiscando as primeiras letras um poeta ainda hoje incompreendido por muitos. Mas para minha surpresa os moleques adoraram, principalmente quando lia os versos que falam do morcego e dos vermes.
Então amigo leitor, se me permite um conselho, leia, leia bastante. Permita que a poesia, assim como os vermes tão angustiosamente citados na obra do maior poeta paraibano, penetre em suas vísceras sentimentais e lhe possibilite navegar pelo mundo da subjetividade que só conhece quem lê.
Ilton Simôa
Colaborador do Movimento Alternativo Goto Seco
Imagens: internet

domingo, 13 de março de 2011

Coisa nossa

Gente da gente

Bem prestigiado o evento de lançamento do livro de poemas de Amarildo, realizado nessa noite de sábado, 12 de março, no Centro Esportivo e Cultural de Ceará-Mirim. Uma iniciativa da ACLA (Academia Cearamirinense de Letras e Artes) e do CEC, que assim, driblam a falta de incentivo cultural por parte do poder público em nossa cidade. Que venham novos projetos (e que os mesmos aconteçam), pois a nossa classe artística navega num barco à deriva.
O competente Caio comandou o cerimonial que, bem à maneira do homenageado, seguiu num clima de muita simplicidade. Houve momentos de muita descontração quando amigos do poeta e músico Amarildo, velhos parceiros de farra, relembraram algumas passagens da sua vida e, claro, cantaram algumas músicas que faziam parte do repertório nas grandes noitadas. O cenário caipira, e muito acolhedor, ficou por conta da "Budega Véia", projeto itinerante de Rossini Cruz, grande incentivador da nossa cultura.
Gibson Machado e Dr. Pedro Simões, responsáveis diretos pelo feito, em suas falas iniciais deixaram claro a importância e a genialidade do poeta de Ceará-Mirim, sendo que, esse último, questionou o fato dele não ter sido reconhecido quando em vida. Mas em e-mail que enviei, eu já o havia alertado para esse fato. Pelo que conhecia do poeta, Amarildo parecia não dar muita atenção para esse fato, ele demonstrava mesmo gostar de viver no anonimato. O músico Marcos Brandão, também parceiro do mestre, antes de cantar, falou um pouco sobre ele e só confirmou a minha opinião. Disse Marcos: “Amarildo era assim mesmo, ele não gostava dos holofotes”. Pois nessa noite festiva, muito embora bastante modestos, os holofotes foram voltados para ele. E viva a nossa gente humilde!

Seleção de fotos
Créditos:
Texto e fotos: Eliel Silva

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Em face da inexistência e/ou indiferença para com o Dia Nacional da Poesia(14 de Março) em nossa cidade, convidamos a população para um ato independente em homenagem a este dia. Hoje, dia 13/03, às 15 horas, em frente ao SAAE. Venha recitar sua poesia, ou a do seu poeta preferido, num ato livre em prol do sentimento poético.

Goto Seco – Movimento Alternativo


sábado, 12 de março de 2011

Antes tarde do que nunca!

Homenagem ao poeta Amarildo

Amarildo, poeta e músico

O convite

sexta-feira, 11 de março de 2011

Tudo azul (e branco)


O REI, A BEIJA-FLOR E A UNIDOS DO CABUÇU

"Meu beija flor chegou a hora de botar pra fora a felicidade, da alegria de falar do Rei e mostrar pro mundo essa simplicidade, quando o amor invade a alma é magia, é inspiração da nossa canção, poesia, um beijo na flor é só pra dizer como é grande o meu amor por você". Essa é uma parte do samba enredo da escola Beija-Flor de Nilópolis que este ano venceu o carnaval carioca pela décima segunda vez com um enredo sobre o Rei Roberto Carlos que , agora no mês de abril completará 70 anos de vida e que em 2009 fez 50 anos de sucesso. A Beija-Flor que por sinal tem a cor preferida pelo Rei, o azul, realizou um desfile belíssimo, quase perfeito, mesmo com as limitações impostas pela igreja católica que impediu que a religiosidade fosse mostrada de uma forma mais explícita. Como estudioso da sua vida há 40 anos e seu fã há 45 anos, presidente do seu fã clube em Natal, o "Além do Horizonte", estranhei que no carro alegórico que falava de Ecologia, não ter sido dado um destaque às baleias que é sua música ecológica mais famosa. Lamentei as ausências no carro da Jovem Guarda de Jerry Adriani, Golden Boys, Eduardo Araújo e Renato e seus Blues Caps. Não falo em Wanderley Cardoso, já que ele não iria por ser evangélico. Também não entendi o Festival de San Remo que o projetou mundialmente não ter sido enaltecido. Apesar dessas pequenas falhas da Escola, Roberto Carlos mostrou que é um verdadeiro Midas e com seu carisma e uma história de vida belíssima, de sucesso e superação, venceu mais uma vez. Mesmo eu sendo torcedor da Escola Mocidade Independente de Padre Miguel, torci e fiquei feliz por ele, já que merece todos os prêmios por tudo que fez na música e as emoções que nos proporciona. Alegro-me por ele ter realizado um sonho que durou 24 anos, uma vez que em 1987 a Escola Unidos do Cabuçu, do Rio de Janeiro, foi quem primeiro lhe homenageou na avenida, mas infelizmente naquele ano, não conseguiu o título. Talvez por não ter a estrutura da Beija-Flor.
Falando na Unidos do Cabuçu, finalizo com um trecho do seu samba enredo de 1987 dedicado ao Rei: "Surgia na manhã o Rei Sol, na carruagem que corria o infinito, Apolo dedilhava a sua Lira, soavam notas que tocavam a tez de um mortal, assim nasceu Roberto Carlos na canção popular e hoje em festa e fantasia na corte da alegria vem cantar, e quem sou eu nesta cidade encantada sou mensageiro do amor no esplendor da madrugada, olha você sabe muito bem, certos detalhes de uma vida agitada o que me vale é a palavra amiga, sempre tão querida do meu camarada, um amante à moda antiga nesse palco de emoções, quero um amor que seja eterno e o resto que vá tudo prá o inferno..."

José Normando Bezerra
Presidente do Fã-Clube "Além do Horizonte”
Natal-RN
Créditos:
Texto: Professor Normando Bezerra
Foto 1 (Unidos do Cabuçu): Blog Aplauso (Fabiano - Fortaleza)
Foto 2 (Beija-Flor): uol