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"Engolimos de uma vez a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga." Denis Diderot

sábado, 17 de janeiro de 2026

 


"É tão estranho, os bons morrem jovens.
Assim parece ser quando me lembro de você
que acabou indo embora cedo demais..."
(Renato Russo)
exatos vinte anos o baixista dos Formigões, do Alma de Borracha e de tantos outros grupos, e o preferido de muitos artistas da música cearamirinense, nos deixava. David, o músico que não fazia cara feia quando convidado pra tocar, e tocava pra todo mundo. Nas Igrejas, nos clubes, nos bares, nos quintais. Ele era assim...
David Faustino de Lima nasceu no dia 26/09/1953. Filho de José Faustino de Lima e Maria Raimunda Tomaz de Souza. Natural da cidade de Eduardo Gomes (Parnamirim), veio para Ceará-Mirim no início da década de 1970, quando seu pai, pastor da Assembléia de Deus, foi transferido para essa cidade. Em 1974, conheceu Conceição Barros e passaram a namorar. Dois anos depois se casaram e dessa união nasceram seus filhos Fabiano Barros, Alanny Barros e Luciana Barros. David, que sempre demonstrou ser um apaixonado por música, mesmo depois do fim do grupo Os Formigões continuou tocando por todos esses anos para qualquer grupo ou pessoa que lhe procurasse. Não fazia cara feia, não fazia charme – prática comum no cenário musical. Com o seu contrabaixo, instrumento que dominava tão bem, estava sempre disposto a tocar: fosse num bar, num clube ou mesmo numa igreja. Sua dedicação era sempre a mesma. Um dos grupos em que ele mais se identificou foi sem dúvida a banda Alma de Borracha, onde tocou até dezembro de 2005, sempre se sentindo em casa. E nesse seu último dezembro, por ocasião da festa da padroeira, para confirmar o seu senso de humor, vou fazer um pequeno comentário a respeito de um episódio que nos sucedeu: estávamos tocando em um quintal, num palco improvisado, com um equipamento de som precário. David, com o seu inseparável e infalível contrabaixo, olhava pra gente, fazia uma careta e caía na gargalhada. Quando ele se emocionava era como um Grande Otelo: chorava e sorria quase ao mesmo tempo. Uma maravilha singular!
Contrariando os meus princípios de não querer invadir a praia de ninguém, naquele janeiro do ano seguinte, eu estava disposto a passar um dia com o velho amigo em Jacumã, onde ele costumava passar o veraneio. E já imaginava como seria aquele dia de sol, a gente biritando e tocando violão... Tarde demais! Já era inverno em nossos corações! No meu trabalho, naquele dia 17 de janeiro de 2006, recebi um recado de sua esposa avisando que ele havia passado mal e assim, após ter sido atendido no hospital de Ceará-Mirim, teria sido encaminhado para Natal. Sinceramente, eu gelei! Mesmo sem querer admitir, senti naquele momento que seria o fim. É que eu já vinha temendo aquele momento há algum tempo, pelo que eu observava em seu estado de saúde. Saí do trabalho, fui pra casa e à noite me veio a notícia que eu não queria ouvir. Sua filha Luciana me ligou para comunicar o seu falecimento. Nessa nossa história tão real, David, ao contrário daquele personagem bíblico, não foi astuto o suficiente para vencer o gigante, e foi vencido. Fiquei com a árdua tarefa de ligar para cada um dos componentes da banda Alma de Borracha e comunicar o fato. Com a morte de David, o sonho de banda definitivamente ficou sem sentido. A gente até tentou seguir em frente, o que até seria uma forma de homenageá-lo. Ledo engano! Só mesmo a presença do nosso rei David para apaziguar as coisas e acalmar os ânimos exaltados desses caras que teimam em brincar de músicos. É John Lennon, por aqui também, “o sonho acabou!”